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Palmeiras 0×2 Corinthians – mais 13 rodadas de desespero

Corinthians 2×1 Palmeiras – 341º Derby, um dos mais doloridos da história

No gramado dos outros também tem barro

Como foi bem observado pelo uruguaio Loco Abreu, a imprensa esportiva brasileira faz “jornalismo de confusão”, sempre dando mais importância no que é negativo do que no positivo. Não importa o estudo da tática e a construção das jogadas, pois o que vende jornais e gera pageviews é falar sobre gol perdido, sobre fofoca de bastidores, sobre má-fase, jejuns e “tabus”. Amargurados nas redações redigem as crônicas das partidas como se estivessem relatando acidentes de trânsito, e relatam o dia a dia dos clubes destacando todos os erros e omitindo os pequenos acertos.

Mas isso tudo o palmeirense já sabe há muito tempo, pois todo dia tem pelo menos uma ou duas “Crises no Palestra”. Como o Palmeiras nos basta, muitos de nós fechamos os olhos e não nos importamos com o noticiário dos outros clubes, chegando até a imaginar uma certa perseguição contra nós nas redações. Mas se olharmos com atenção encontraremos notícias ruins em todos os outros clubes quase na mesma proporção que no Palestra Itália.

Mas então o que faz o noticiário do Palmeiras tomar uma dimensão maior do os outros? Algumas teorias não comprovadas:

  • O tamanho da torcida palmeirense contribui com o eco. Considerada a 4ª maior, espalhada por todo o país e altamente conectada, a repercussão é obviamente maior do que times regionais como Grêmio e Internacional, ou de pequena torcida como Santos, Fluminense e Botafogo.
  • A torcida palmeirense “compra” a notícia ruim. Ela deixa comentário no blog do jornalista fofoqueiro, ela reclama no Twitter da manchete maldosa, ela repercute tudo o que ouve sobre o time sem fazer filtro.
  • A torcida palmeirense é engajada com a política do clube. Na busca por mais conteúdo a imprensa esportiva se excede para além das quatro linhas e invade a administração e até mesmo o clube social em busca de mais problemas para suas tiragens e pageviews – com isso nós duplicamos as possibilidades de pauta para a imprensa. A política do Palmeiras não é mais nem menos confusa do que qualquer outro clube, só parece que é por ser a única com seus fatos expostos. Ou você acha que não teve nenhuma sujeira na política interna para levantar o Itaquerão ou para o presidente do SPFC se perpetuar no cargo?
  • A torcida palmeirense é exigente. Não basta o jogador vir para compor elenco, tem que ser craque. Não basta lançar plano sócio-torcedor, tem que ter direito a voto direto pra Presidente. Não basta construir um estádio novo, tem que nos explicar o motivo de num certo dia serem instaladas menos estacas que no dia anterior. Com essa exigência toda, é normal que a corneta esteja sempre tocando alto.

Fiz uma pesquisa com uma amostragem bem pequena, considerando apenas as últimas três semanas no UOL Esporte com uma ou outra notícia do Globoesporte.com – fiz essa escolha para facilitar a pesquisa, já que a amargura é uma característica bem marcante da redação do UOL Esporte. Também limitei a busca nos outros 11 clubes nacionais que junto com o Verdão são os considerados “grandes” do futebol nacional.

Qualquer uma das ocorrências abaixo seria bem mais polemizada caso ocorresse no Palmeiras.

Corinthians
- Itaquerão (aquele construído com dinheiro público) terá estátua de São Jorge do tamanho do Cristo Redentor. Perguntinha que ninguém na imprensa fez: quanto custaria? Não podia usar esse dinheiro para ajudar a pagar a construção do estádio hiper-faturado sem se locupletar com os cofres que foram enchidos com nossos impostos?
- Nem mesmo com o status de campeão nacional e com falácia forçada de “time do povo” conseguem acertar um patrocinador master. Tentam de tudo para agradar (camisa com logotipo para presidente da Hyundai), inventam delírios (carros da marca para os jogadores) mas na hora final o patrocinador desaparece.
- Jogador chamado Marcio (porém conhecido como Emerson?) e com histórico de acusações de contrabando e lavagem de dinheiro é pego em Blitz Lei Seca, recusa bafômetro e perde a habilitação.

São Paulo
- Treinador bate de frente com diretor, que por sua vez coloca em xeque a condição psicológica de um atleta.
- Já são quase três meses e meio sem patrocinador master, uma receita perdida que não tem volta para um espaço que ninguém parece estar interessado – pelo menos não nos valores que são pedidos.

Santos
- Presidente diz que hoje venceriam o Barcelona. Curiosamente, no mesmo dia que ele disse isso tomaram uma virada do São Caetano com o time completinho. Tá pensando o quê, que Anacleto Campanella é Camp Nou?
- Jogador falta treino para audiência na Justiça de um caso bizarro protagonizado por ele.

Flamengo
- Torcida protestou a fase do time jogando ovos no ônibus, sem se esquecer da pipoca e do nariz de palhaço.
- Ronaldinho Gaúcho levou uma grana (rubro)preta em 1 ano e pouco no clube, não convenceu e quer ir embora – o que tornaria ainda mais difícil a busca pelo patrocinador master e a reeleição da presidenta.
- Pra “animar” os jogadores na Libertadores, o clube pagou os salários de Fevereiro em Abril!

Vasco da Gama
- Elenco tentou agredir árbitro e tomou borrachada da Polícia. Com diversos expulsos numa situação mal-explicada da súmula, querem a salvação com… Carlos Alberto.
- Ministério Público entra com dois processos contra o clube e aponta seis irregularidades nas categorias de base.
- Fracassaram na organização de um pacote de viagem para acompanhar o time ao Peru pela Libertadores. Sei que o apelo do jogo é diferente, mas outros clubes já conseguiram organizar e vender pacotes para o Mundial de Clubes por preços e distâncias maiores, que eram os argumentos impeditivos citados pelos cariocas.

Fluminense
- Muricy Ramalho já havia reclamado dos ratos nas Laranjeiras, agora acharam um gambá.
- O aproveitamento do time na casa do modesto Madureira nos últimos 20 anos é de apenas 33%.
- Jogador se atrasou para entrevista coletiva porque estava cortando o cabelo.
- Diretoria bate cabeça na demissão do assessor de imprensa. Depois tentaram passar o pano dizendo que foi só um desentendimento e está tudo bem, mas claramente não está.

Botafogo
- Apesar da vitória tomaram vaia da própria torcida, e na entrevista o jogador cornetou o baixo público e o companheiro de elenco pelo erro no gol sofrido.
- Entraram em litígio com a Fila, antiga fornecedora de material esportivo, fecharam contrato com a Puma mas só oficializaram e apresentaram o uniforme novo quatro meses depois, jogando com uniforme sem marca o tempo todo – e perdendo toda a receita de venda de camisas nesse períodos, como não foi apontado por ninguém na imprensa.
- Jobson criou encrenca pela enésima vez.

Internacional
- Jogador some do trabalho por 17 dias, é reintegrado e ninguém da diretoria ou comissão técnica explica o que houve ou se haverá punição.
- Queriam fazer um teste no estádio em obras para saber se haveria problemas de acesso em jogos de grande público, algo que chegasse próximo de 30 mil pessoas. Não foi possível concluir nada porque apenas 7.124 torcedores compareceram.

Grêmio
- Presidente diz que está negociando com um jogador mas não deu nem tempo de contar para a torcida: menos de duas horas depois o jogador desmentiu a existência da negociação e já deixou claro que nem precisa enviar a proposta.
- Outra do presidente: foi fazer discurso no lançamento do uniforme e tomou uma vaia da torcida. Pra piorar, há quem queira Danrlei na Presidência.

Cruzeiro
- Contrataram Alex Silva. Não tiveram grandes problemas recentemente mas só essa já vai garantir material até o fim do ano.

Atlético-MG
- Arquidiocese de Belo Horizonte ignora tradição e impede culto ecumênico pelo aniversário do clube. Aliás, comemoração de quê? A data passou em branco e nem mesmo a torcida se mobilizou para fazer algo.
- No final de Março ainda estava bem díficil para conseguirem terminar de pagar os salários de Janeiro e Fevereiro.

Corinthians 2×1 Palmeiras – com uma boa ajuda da sorte, caiu o último invicto

O nervosismo do jogo foi o padrão para um Derby, mas apesar da tensão deu para perceber que na bola foi equilibrado e o nosso gol poderia surgir a qualquer momento em algum detalhe – nosso detalhe foi o clássico chute com a mão do Marcos Assunção, o detalhe rival foi a sorte acontecer duas vezes em três minutos: no primeiro a bola pingou no lugar certo da área, no segundo fizemos um gol contra – ou seja, fomos nós que perdemos e não eles que nos venceram, mas isso não importa muito porque ficamos sem os três pontos do mesmo jeito.

No primeiro tempo o Palmeiras teve um bom volume de jogo, atletas bem posicionados no campo, enquanto o adversário abusou das faltas e confusões, suas maiores especialidades. No segundo tempo o time se perdeu em campo após sofrer os dois gols, talvez tivéssemos melhor sorte se contássemos com o Daniel Carvalho no banco. De qualquer forma, a freguesia histórica segue: 121 x 117.

Apesar de algumas interpretações equivocadas do árbitro, até que ele foi razoavelmente bem e não acho que podemos lhe imputar alguma participação no resultado – se bem que aquela entrada criminosa do Liédson no Deola deveria lhe custar um cartão vermelho. Nosso povo calejado das injustiças e roubalheiras premeditadas do futebol não pode abaixar a guarda; já há teorias circulando que um eventual benefício do apito hoje serviria como compensação nas premeditações sujas da fase eliminatória – devemos pressionar a comissão de arbitragem e seus sorteios em todas as rodadas para exigir o equilíbrio.

Uma curiosidade: em 36 jogos dos últimos 2 Paulistas tivemos apenas 3 derrotas (duas para o rival, e uma para Ponte Preta em que jogamos com elenco reserva). Infelizmente só a estatística não é suficiente para um troféu.

E um registro precisa ser feito, já que será pouco comentado na imprensa esportiva: Torcedores corinthianos brigaram entre si nas arquibancadas.

Deola sofre falta grave de Liédson (Gazeta Press)

Deola sofre falta grave de Liédson (Gazeta Press)

iG Esporte: Em seis minutos, Corinthians vira e acaba com invencibilidade do Palmeiras

Com apenas 40 segundos de jogo, Marcos Assunção cobrou falta venenosa e Júlio César precisou espalmou para fora. Depois do susto, o Corinthians tomou a iniciativa e foi para o ataque. No entanto, a segunda jogada de perigo do clássico foi do Palmeiras. Aos nove minutos, Barcos, completamente livre na área, recebeu cruzamento de João Vítor e testou para fora. Aos 11, Marcos Assunção, mais uma vez, assustou em cobrança de falta. O volante tentou acertar o ângulo direito do goleiro e tirou tinta da trave.

UOL Esporte: Corinthians supera “Professor Raimundo” e na bola parada finda invencibilidade do Palmeiras

Seis minutos depois do gol, aconteceu um tumulto em campo. Liedson acertou com o pé o goleiro Deola. Os palmeirenses foram para cima e houve uma troca de empurrões. O camisa 9 alvinegro pediu desculpas, mas não se livrou do cartão amarelo.

Gazeta Esportiva: De virada, Corinthians tira liderança e invencibilidade do Palmeiras

Outro momento de tensão ocorreu entre Chicão e Barcos. O defensor entrou duro no argentino do Palmeiras e recebeu o segundo cartão amarelo do Corinthians – o primeiro havia sido para Liedson, na jogada com Deola. Antes disso, Valdívia desperdiçou oportunidade de ampliar a vantagem ao receber passe em profundidade justamente de Barcos. O meia chileno invadiu a área em velocidade e perdeu o ângulo ideal de chute ao deixar Julio Cesar caído no chão.

Lancenet: Líder nota 10! De virada, Timão vence o Verdão

Na volta do intervalo, os alunos de Tite voltaram mais concentrados e conseguiram a vitória em apenas seis minutos do segundo tempo. Paulinho, aos três minutos, aproveitou cobrança de falta de Jorge Henrique e desviou na mão de Márcio Araújo para colocar a bola para o fundo do gol, empatando a partida. Enquanto isso, Valdivia (Divino) seguia sem magia… Com nova ajuda do volante Profeta (Márcio Araújo), o Timão virou o jogo, três minutos depois do empate, com gol contra, mesmo com a tentativa de Liedson de chegar na bola.

Globoesporte.com: Com veneno rival, Timão vira e acaba com a série invicta do Verdão

O Palmeiras entrou em colapso com a inesperada mudança de placar. As jogadas que deram certo no primeiro tempo acabaram na parte final do jogo. O time se enervou, perdeu a posse de bola e praticamente não ofereceu perigo a Julio Cesar. A melhor oportunidade neste perído veio dos pés de Valdivia, batendo por cima uma chance clara dentro da área.

O Verdão só conseguiu melhorar depois que Felipão colocou Pedro Carmona e Ricardo Bueno no gramado. A equipe voltou a ter mais posse de bola, mas esbarrou na boa atuação da defesa rival. Barcos, que fez grande primeiro tempo, sumiu no fim. A chance do empate veio aos 43. Assunção bateu falta para a área, Henrique desviou de cabeça e a bola saiu muito próxima da trave direita.

Santos 1×2 Palmeiras – vitória merecida

Globoesporte.com: Neymar marca 100º, mas Palmeiras vira e bate o Santos em Prudente

Antes de a bola rolar, o técnico Luiz Felipe Scolari reclamou muito do forte calor, típico de Presidente Prudente. Ele disse que os jogadores teriam de dar o “couro todo”. E seus comandados ouviram o recado. Desde o apito inicial, os palmeirenses armaram uma forte marcação homem a homem. Felipão até escalou o volante João Vitor em vez do meia Patrik para reforçar a defesa e deixar Valdivia mais solto no ataque.

A princípio, a estratégia deu certo. Cicinho colou no aniversariante Neymar, que ficou apagado. O Mago, por sua vez, aparecia bem. Aos seis minutos, enfiou a bola com perfeição para Luan arrancar livre pela direita. Rafael teve de sair da meta para evitar o gol e acabou deixando a sobra para Juninho, que tentou cruzar para Fernandão, mas errou o passe.

ESPN Brasil: Aniversariante Neymar faz o gol cem, mas Palmeiras vira no final, estraga a festa e vence o Santos

Aos 35, Valdivia se aventurou em jogada individual pela esquerda e bateu fraco. Foi a última jogada do chileno em campo, pois sentiu dores na coxa direita e foi substituído por Daniel Carvalho. Em seu primeiro lance de perigo, Daniel invadiu a área santista driblando a marcação e saiu de frente para o goleiro. O jogador até tentou passar também o arqueiro para chutar, mas Rafael conseguiu fazer a defesa e impedir um golaço.

No intervalo, Muricy Ramalho tirou Borges para a entrada de Alan Kardec. Mas o Palmeiras voltou melhor ao segundo tempo, fazendo uma marcação ainda mais forte. Porém, o Verdão não conseguia transformar a posse de bola em jogadas de real perigo.

iG Esporte: No fim, Palmeiras estraga festa de aniversário de Neymar

Com o freio de mão puxado, Santos e Palmeiras seguiram sem atacar durante os primeiros minutos. Apenas em jogada de bola parada aos 12, a equipe de Luiz Felipe Scolari arriscou o primeiro chute, com Marcos Assunção.

Diferentemente da primeira etapa, quando as equipes voltaram pior após a parada técnica para beber água, o descanso na etapa final ajudou. Aos 23, Marcos Assunção cruzou na segunda trave, Luan bateu de primeira e Rafael fez boa defesa. No minuto seguinte, Ganso cobrou falta na área e Neymar testou com estilo no canto, sem chance para o goleiro Deola: 1 a 0.

Gazeta Esportiva: Palmeiras estraga festa de Neymar com virada emocionante

Logo em seguida, Felipão colocou Maikon Leite, que já se preparava para entrar, no lugar de Luan. Na primeira jogada, Daniel Carvalho lançou Maikon Leite, que tocou por cobertura sobre Rafael, mas Maranhão chegou para afastar antes de a bola entrar. Diante da necessidade de buscar a vitória, Felipão tirou Cicinho para a entrada de Ricardo Bueno.

Lancenet: Haja coração! Em virada histórica, Verdão vence o Peixe no Prudentão

Logo após o gol, o Palmeiras foi para cima, e conseguiu uma virada histórica. Após outro escanteio venenoso de Assunção, Fernandão ( que marcou seu 1º gol pelo Palmeiras no mesmo Prudentão) empatou de cabeça.

O inesperado aconteceu, e em jogada pela esquerda, Juninho chutou cruzado, a bola desviou em Maranhão e foi morrer no fundo das redes. Era a virada, inacreditável do Verdão.

UOL Esporte: Neymar faz gol 100 no dia do aniversário, mas Palmeiras ofusca festa e vira sobre o Santos no fim

O resultado dá motivação extra ao time de Felipão que tenta engrenar no Paulistão. O Palestra conseguiu a segunda vitória seguida e subiu para a terceira colocação na tabela com 11 pontos, dois a menos que Corinthians e Paulista. Já o Santos prolonga o início ruim com apenas um triunfo em cinco jogos e amarga o nono lugar.

Derby, Choque-Rei e Saudade em 2011

Apesar dos resultados ruins nas competições e por não adicionar nenhum troféu de futebol na galeria além do Paulista Sub-17, o Palmeiras não ficou devendo na estatística para nenhum outro do chamado “G4 Paulista” – nossa única desvantagem foi no fator campo (e também extra-campo, mas isso é outra história). Abaixo estão alguns números dos nossos clássicos contra Corinthians, São Paulo e Santos.

Corinthians: uma vitória, dois empates, uma derrota, 3×3 no placar acumulado. Três jogos no Pacaembu e um no Prudentão, levamos 11 amarelos e 3 vermelhos, o rival recebeu 15 amarelos e 2 vermelhos.

São Paulo: dois empates e uma vitória, 3×2 no placar acumulado. Dois jogos no Morumbi e um no Pacaembu, e em cada um o adversário usou um treinador diferente. Levamos 7 amarelos e o inimigo recebeu 6 amarelos e 2 vermelhos.

Santos: duas vitórias e uma derrota, 4×1 no placar acumulado. Dois jogos na Vila Belmiro e um no Pacaembu, foram 7 amarelos para cada lado e nenhuma expulsão.

Na arbitragem foram usados oito árbitros diferentes e apenas um comandou mais de um jogo: Luiz Flávio de Oliveira apitou três clássicos diferentes e ainda foi árbitro adicional em outros dois no Paulista. Seu irmão Paulo Cesar de Oliveira apitou apenas um mas nos deixou um estrago imensurável.

No total recebemos 25 cartões amarelos e 3 vermelhos (os três em Derbys decisivos, coincidência?). Nossos adversários receberam 28 cartões amarelos e 4 vermelhos (dois no último Derby e mais um em cada Choque-Rei do Brasileiro).

Os três piores públicos foram contra o Santos (o estádio acanhado deles é um motivo) e os três melhores foram contra o Corinthians (temos que reconhecer que o sócio-torcedor deles funciona, além da nossa gentileza inocente na partilha dos ingressos). Considerando somente nossos cinco mandos, o público pagante total foi de 128.989 com renda bruta de R$ 3.259.810,00, o que dá um ticket médio de R$ 25,27.

Os números acima estão bons, mas tenho certeza que nenhum palestrino se importaria de trocar uma ou duas vitórias em clássicos por um troféu.

Corinthians 0×0 Palmeiras – a superioridade no Derby continua

O 339º Derby resultou no 102º empate; permanecemos com 121 vitórias contra 116 do adversário e com 43 gols marcados a mais do que eles (495 a 452). O clássico foi como todos os outros recentes: arbitragem frouxa para eles e rígida para nós, adversário nervoso sem oferecer grandes perigos e o Palmeiras dominando o campo e acertando a trave. Mais uma vez tivemos um atleta expulso por interpretação ambígua do árbitro e mesmo assim continuamos mantendo a posse de bola e o nosso ritmo de jogo. Quando dizem que o Derby é um campeonato a parte, não é mentira: quem viu o Palmeiras em campo nesta partida não diz que é o mesmo das outras rodadas do Brasileiro.

O nosso desempenho superior em campo teve seu lado frustrante, pois mostrou que mesmo com este elenco muito limitado seria possível no mínimo disputar uma vaga para a Libertadores caso tivessemos nos livrado das laranjas podres mais rapidamente. Felipão assumiu esse erro, mas o vice-presidente e diretor de futebol Roberto Frizzo ficou quieto quando deveria assumir a culpa ao invés de deixar nosso treinador se desgastar mais uma vez.

Terminamos o Brasileiro em 11º lugar e provavelmente enfrentaremos o Botafogo na Sul-Americana 2012. Tivemos apenas 10 derrotas, só uma a mais que o campeão e menos do que Fluminense, São Paulo, Coritiba, Botafogo e Santos, que terminaram na nossa frente. Nossos dois maiores erros: excesso de empates e ataque sem conclusão (ou meio campo pouco eficiente para as assistências). Acumulamos 17 empates, número superior a todos os demais times; e marcamos apenas 43 gols, superior apenas ao rebaixado Atlético-PR. A zaga passou por momentos de elogios e críticas, mas foi a segunda menos vazada do campeonato.

Não vou colocar as habituais manchetes de pós-jogo pois nesta última rodada o título do rival foi mais comentado do que nossa habitual supremacia no campo, mas nem poderia ser diferente. Ao invés disso, sugiro a leitura atenta de dois ótimos relatos contados por quem esteve presente na arquibancada visitante e mostram pontos de vista que jamais serão mencionados pela imprensa que se diz especializada.

Forza Palestra: A vitória de quem vai à luta

Ao final dos 90 minutos, deixamos a cancha municipal com a certeza de dever cumprido. Lutamos a guerra que nos cabia. Fomos à cancha municipal não movidos pelo oportunismo sujo de quem queria contemplar um título para o qual pouco ou nada fez, mas pela obstinação de quem queria defender a própria honra em uma batalha improvável. Fomos não esperando uma conquista fácil, mas sabedores de que todo o nosso esforço provavelmente não resultaria em nada. Mas o Palmeiras foi a campo e nós vamos atrás dele.

A tentativa de fazer um mosaico com faixas verticais merece três comentários: (1) pra fazer isso de maneira correta, é preciso ter experiência prévia; (2) a atitude de baixar as faixas tão rapidamente só serviu para evidenciar o medo do outro lado; (3) a conivência da PM com a gambazada tem origens históricas, e fica mais evidente a cada ano. Imaginem os senhores se a Mancha seria autorizada a entrar no estádio com algum material que tivesse uma mensagem de provocação à torcida adversária…

Verdazzo: SCCP 0×0 Palmeiras

Após uma hora de caminhada, chegamos ao Municipal, não sem antes termos que tomar bastante cuidado com uma ladeira ao lado do Pacaembu cheia de óleo diesel derramado, o que fez o chão ficar muito escorregadio e perigoso. Era a única via de saída de nossa torcida, e no caso de um confronto, o chão liso era uma grande desvantagem. Obra dos “leais adversários”

O juiz apitou o fim do jogo e a torcida do Palmeiras se viu obrigada a se retirar do estádio. Com muita raiva e decepção, mas de cabeça erguida. Os jogadores, dentro de campo, dentro das limitações já conhecidas, se impuseram frente ao time que se sagrou campeão. O Palmeiras, apesar de uma fase negra principalmente nos meses de setembro e outubro, ressurgiu no campeonato, tirou o SPFC da Libertadores e fez os corintianos se borrarem de medo até o anúncio do fim do jogo no Engenhão. Essa dignidade ninguém nos tira.

Fala muito, fala muito!

O presidente do Corinthians encontrou uma forma eficaz de desviar as atenções da ausência por diarréia de tensão pré-Derby do seu atacante Adriano: deu entrevistas com indiretas ao Palmeiras.

Sobre o Palmeiras pagar bicho elevado para vitória no Derby:

Eu acho que o Palmeiras necessita de dinheiro em outros casos, mas se ele achou por bem dar o bicho, eu não tenho nada a ver com isso. Se dinheiro ganhasse jogo meu time era campeão todo ano.

O único dinheiro que o Palmeiras necessita são os R$ 34 milhões devidos pelo Corinthians no caso da contratação do Rogério.

Sobre o modelo econômico da Arena Palestra:

O Corinthians, a partir de quando tiver o estádio, quando a Fifa devolver, depois da Copa, fica com o estádio inteiro. Ao contrário do modelo do Palmeiras, que tem uma parceria com a W. Torre, que vai ficar 30 anos comandando o estádio. Sei de detalhes do Palmeiras mas não me sinto no direito de expor. O do Corinthians não. Acabou, pega a chave e é tudo nosso.

A Arena Palestra não tem nenhum segredo: o Palmeiras receberá 100% das rendas de bilheteria de futebol, mais uma porcentagem crescente nas receitas do estádio – camarotes e lanchonetes (5%+), shows e eventos diversos (20%+). Não existe aluguel de campo, somente os custos de operação no dia. Além disso, recebeu uma reconstrução moderna de quase toda a sede social, que em conjunto com o novo estádio representa um aumento considerável no valor patrimonial do clube. Esse modelo de parceria com a construtora permite que o Palmeiras pague pelo novo estádio, ao invés de ganhar um às custas dos cofres públicos como é o “modelo econômico” do Itaquerão corintiano, e que provavelmente terá a mesma decadência do Engenhão nas mãos do Botafogo.

Veja só: o cara que pensa que conhece as soluções para o Palmeiras é o mesmo que não consegue controlar seu principal atleta, que só neste ano já faltou quase 60 vezes entre treinos e sessões de fisioterapia! E a imprensa presente, cordeirinha, não questionou o dirigente sobre o “é tudo nosso” com dinheiro do povo. Ainda teve mais uma, sobre a declaração do Valdívia que vencer o Derby seria questão de honra:

“Jogador do nível dele é melhor nem responder”, afirmou Sanchez, que preferiu não externar sua opinião sobre o nível do jogador palmeirense. Em seguida, quando perguntado sobre o motivo de não comentar a declaração do chileno, o presidente corintiano foi sucinto: “Porque não”.

Há um ano e meio, quando o Palmeiras negociava o retorno do Valdívia ao clube durante a Copa do Mundo, o mesmo Andrés Sanches foi flagrado em animada conversa com o chileno e perguntando por seu procurador. Felipão mostrou muita sabedoria quando disse que não existe nada pior que ciúme de homem…

Mas tudo bem, vamos ser superiores e perdoá-lo, pois em suas próprias palavras o que mais o incomoda é o Palmeiras. Não deve ser fácil.

Palmeiras 1×0 São Paulo – vaga garantida na Sul-Americana

Geralmente o Choque-Rei é marcado por muito falatório, especialmente no lado de lá do muro da Academia de Futebol. Dessa vez resolveram manter o silêncio porque o desempenho deles no ano não foi superior ao nosso: ficaram em 4º lugar no Paulista, eliminados nas oitavas da Sul-Americana, também passaram por nove jogos sem vitórias e somaram dez derrotas no Brasileiro.

Antes mesmo do jogo começar, um ensaio de polêmica quando viram o representante da arbitragem carregar camisas presenteadas pelo Palmeiras. Não concordo com o presente, mas é hábito de todos os clubes, inclusive do SPFC – que aliás já ofereceu muito mais, como ingressos de camarote do show da Madonna.

Para os comentaristas foi um jogo morno, com pouca técnica, sem grandes emoções e chances de gol. Mas para quem conhece a história do Choque-Rei foi nervoso, brigado, com bolas na trave de ambos os times e com o habitual domínio palmeirense. Mas dessa vez o domínio finalmente se converteu em vitória no placar, e do melhor modo possível: na bola parada do Marcos Assunção. Apesar de ser uma jogada já bem conhecida e do adversário ter treinado com muito cuidado supondo anular 50% da nossa força, deu tudo errado para eles. Falharam clamorosamente na linha de impedimento e a bola pingou na pequena área do reserva da Copa 2002, antes de entrar nas redes.

A nossa zaga soube aplicar os treinos e evitou as faltas próximas à área, então o goleiro batedor de faltas não foi acionado nenhuma vez. Com isso vencemos um importante clássico, garantimos nossa vaga na Sul-Americana 2012 (pouco, é verdade) e como brinde dificultamos muito a chance do rival ir para a próxima Libertadores.

Este resultado combinado com a sequência das últimas quatro partidas também serviu para mostrar que o camisa 30 Kleber era uma das laranjas podres do elenco, pois sua saída refletiu numa imediata melhora do empenho em campo de todos os atletas.

UOL Esporte: Palmeiras usa ‘fator Assunção’, vence e atrapalha chances de Libertadores do São Paulo

O técnico Emerson Leão treinou a semana inteira a sua defesa para conter a melhor jogada do Palmeiras: a bola parada com Marcos Assunção. Mas de nada adiantou. Com gol de falta do volante, o time alviverde venceu por 1 a 0 e atrapalhou as chances de vaga na Libertadores do rival tricolor.

Lancenet: Salva o ano? Verdão vence e complica o São Paulo

Se alguém só assistisse aos primeiros 15 minutos de partida, poderia pensar que era o Verdão quem lutava por uma vaga na Libertadores e o São Paulo jogava sem responsabilidade – talvez incentivados pelo bicho dobrado, polêmica da semana no Alviverde. Aos 12, Marcos Assunção cobrou escanteio fechado e Rogério salvou. Como de costume, o volante era a principal arma palmeirense e supria a falta de inspiração de Valdivia, escondido na marcação.

Gazeta Esportiva: Marcos Assunção quebra jejum e afasta o São Paulo da Libertadores

Por 20 minutos, o Palmeiras tornou o São Paulo um espectador dentro de campo, vendo-o tocar a bola. Até que os erros na frente apareceram, e o Verdão, então, deu a bola e o ânimo que o rival precisava para chegar ao ataque. O equilíbrio se estabeleceu com a postura que Leão queria, com Dagoberto vindo de trás pela direita e Cícero recebendo a ajuda de Denilson para subir. Na igualdade do confronto, o Palmeiras foi empolgado para o intervalo.

No último lance do primeiro tempo, Rogério Ceni executou duas excelentes defesas em chutes de Luan e Patrik, este último ainda acertando o travessão, e Valdivia deu uma puxeta para fora. O chileno ainda se estranhou com o goleiro do São Paulo por ficar sentado na pequena área, aumentando o clima de rivalidade. O desentendimento, contudo, ficou no vestiário. O que voltou com o Palmeiras foi o ânimo que contagiou a torcida no último minuto do primeiro tempo. Os comandados de Luiz Felipe Scolari voltaram a conseguir impor uma marcação adiantada, bloqueando a ligação dos são-paulinos aos seus atacantes. Só Luis Fabiano conseguiu chance em que chutou rente à trave aos três minutos.

iG Esporte: Assunção decide, e Palmeiras afasta São Paulo da Libertadores

Logo no início, o Palmeiras começou melhor novamente. Primeiro, Valdivia, recebeu passe de Luan pela esquerda e colocou por cima de Rogério Ceni. Na jogada seguinte, o chileno sofreu falta, Marcos Assunção bateu, ninguém desviou e o camisa 1 do São Paulo pulou no vazio. A bola passou, e o placar estava aberto. Para tentar mudar o rumo do jogo, Rivaldo e Marlos entraram nos lugares de Cícero Dagoberto.

O São Paulo até melhorou, começou a criar mais chances, mas sempre errava no último passe. Percebendo que seu time estava acuado, Felipão colocou Chico no lugar de Patrik. A partir daí o time de Leão começou a alçar bolas na área. Em uma delas, Luis Fabiano desviou, e a bola parou nas mãos de Deola. Depois, foi a vez de Rivaldo cabecear a bola em cruzamento por cima de Deola.

Globoesporte.com: Assunção marca, Verdão vence e deixa Tricolor longe da Libertadores

Percebendo o crescimento do rival, Felipão reforçou a marcação alviverde, com Chico na vaga de Patrik. Depois, João Vítor entrou na vaga de Cicinho. Aos 38, o Verdão perdeu a chance de matar a partida. Em rápido contra-ataque, Luan, um dos melhores em campo, tocou para Valdivia, que só rolou para Fernandão. Cara a cara com Ceni, ele bateu cruzado, na trave direita do goleiro são-paulino.

No fim, desespero dos dois lados – o São Paulo para empatar e o Verdão para segurar a vitória. Mais competente e, principalmente, com mais garra, o Palmeiras soube segurar o resultado. A euforia foi completa no Pacaembu porque o placar eletrônico anunciou o gol da vitória por 2 a 1 do Vasco sobre o Fluminense no Engenhão, resultado que adiou a definição do título brasileiro para a última rodada. Palmeirenses, felizes com a vitória, e são-paulinos, que tiveram pelo menos algo para comemorar, fizeram muita festa.

A regra é clara?

Não é nenhuma novidade que existe uma falta de critério imensa no futebol. Cada um dos envolvidos nas decisões do esporte (árbitros, juízes e promotores do STJD, até mesmo jornalistas pela “formação de opinião”) enxergam um mesmo lance por prismas diferentes. A FIFA diz que é essa polêmica que faz o futebol ser tão empolgante, mas vá tentar convencer o torcedor de um clube que é sempre prejudicado nessas ocorrências.

Nos vídeos abaixo, dois lances distintos que podem ter influenciado o resultado do jogo e até mesmo do campeonato. Primeiro, o pênalti sofrido pelo Kleber no Choque-Rei de domingo e que não foi marcado, onde o jornalista Flávio Prado teve a coragem de sugerir que o Kleber é quem teria feito a falta e foi imediatamente rebatido pelo ex-árbitro Oscar Roberto Godói. O segundo vídeo é o pênalti não-sofrido pelo Ronaldo no Corinthians em 2010 e que foi marcado.