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No gramado dos outros também tem barro

Como foi bem observado pelo uruguaio Loco Abreu, a imprensa esportiva brasileira faz “jornalismo de confusão”, sempre dando mais importância no que é negativo do que no positivo. Não importa o estudo da tática e a construção das jogadas, pois o que vende jornais e gera pageviews é falar sobre gol perdido, sobre fofoca de bastidores, sobre má-fase, jejuns e “tabus”. Amargurados nas redações redigem as crônicas das partidas como se estivessem relatando acidentes de trânsito, e relatam o dia a dia dos clubes destacando todos os erros e omitindo os pequenos acertos.

Mas isso tudo o palmeirense já sabe há muito tempo, pois todo dia tem pelo menos uma ou duas “Crises no Palestra”. Como o Palmeiras nos basta, muitos de nós fechamos os olhos e não nos importamos com o noticiário dos outros clubes, chegando até a imaginar uma certa perseguição contra nós nas redações. Mas se olharmos com atenção encontraremos notícias ruins em todos os outros clubes quase na mesma proporção que no Palestra Itália.

Mas então o que faz o noticiário do Palmeiras tomar uma dimensão maior do os outros? Algumas teorias não comprovadas:

  • O tamanho da torcida palmeirense contribui com o eco. Considerada a 4ª maior, espalhada por todo o país e altamente conectada, a repercussão é obviamente maior do que times regionais como Grêmio e Internacional, ou de pequena torcida como Santos, Fluminense e Botafogo.
  • A torcida palmeirense “compra” a notícia ruim. Ela deixa comentário no blog do jornalista fofoqueiro, ela reclama no Twitter da manchete maldosa, ela repercute tudo o que ouve sobre o time sem fazer filtro.
  • A torcida palmeirense é engajada com a política do clube. Na busca por mais conteúdo a imprensa esportiva se excede para além das quatro linhas e invade a administração e até mesmo o clube social em busca de mais problemas para suas tiragens e pageviews – com isso nós duplicamos as possibilidades de pauta para a imprensa. A política do Palmeiras não é mais nem menos confusa do que qualquer outro clube, só parece que é por ser a única com seus fatos expostos. Ou você acha que não teve nenhuma sujeira na política interna para levantar o Itaquerão ou para o presidente do SPFC se perpetuar no cargo?
  • A torcida palmeirense é exigente. Não basta o jogador vir para compor elenco, tem que ser craque. Não basta lançar plano sócio-torcedor, tem que ter direito a voto direto pra Presidente. Não basta construir um estádio novo, tem que nos explicar o motivo de num certo dia serem instaladas menos estacas que no dia anterior. Com essa exigência toda, é normal que a corneta esteja sempre tocando alto.

Fiz uma pesquisa com uma amostragem bem pequena, considerando apenas as últimas três semanas no UOL Esporte com uma ou outra notícia do Globoesporte.com – fiz essa escolha para facilitar a pesquisa, já que a amargura é uma característica bem marcante da redação do UOL Esporte. Também limitei a busca nos outros 11 clubes nacionais que junto com o Verdão são os considerados “grandes” do futebol nacional.

Qualquer uma das ocorrências abaixo seria bem mais polemizada caso ocorresse no Palmeiras.

Corinthians
- Itaquerão (aquele construído com dinheiro público) terá estátua de São Jorge do tamanho do Cristo Redentor. Perguntinha que ninguém na imprensa fez: quanto custaria? Não podia usar esse dinheiro para ajudar a pagar a construção do estádio hiper-faturado sem se locupletar com os cofres que foram enchidos com nossos impostos?
- Nem mesmo com o status de campeão nacional e com falácia forçada de “time do povo” conseguem acertar um patrocinador master. Tentam de tudo para agradar (camisa com logotipo para presidente da Hyundai), inventam delírios (carros da marca para os jogadores) mas na hora final o patrocinador desaparece.
- Jogador chamado Marcio (porém conhecido como Emerson?) e com histórico de acusações de contrabando e lavagem de dinheiro é pego em Blitz Lei Seca, recusa bafômetro e perde a habilitação.

São Paulo
- Treinador bate de frente com diretor, que por sua vez coloca em xeque a condição psicológica de um atleta.
- Já são quase três meses e meio sem patrocinador master, uma receita perdida que não tem volta para um espaço que ninguém parece estar interessado – pelo menos não nos valores que são pedidos.

Santos
- Presidente diz que hoje venceriam o Barcelona. Curiosamente, no mesmo dia que ele disse isso tomaram uma virada do São Caetano com o time completinho. Tá pensando o quê, que Anacleto Campanella é Camp Nou?
- Jogador falta treino para audiência na Justiça de um caso bizarro protagonizado por ele.

Flamengo
- Torcida protestou a fase do time jogando ovos no ônibus, sem se esquecer da pipoca e do nariz de palhaço.
- Ronaldinho Gaúcho levou uma grana (rubro)preta em 1 ano e pouco no clube, não convenceu e quer ir embora – o que tornaria ainda mais difícil a busca pelo patrocinador master e a reeleição da presidenta.
- Pra “animar” os jogadores na Libertadores, o clube pagou os salários de Fevereiro em Abril!

Vasco da Gama
- Elenco tentou agredir árbitro e tomou borrachada da Polícia. Com diversos expulsos numa situação mal-explicada da súmula, querem a salvação com… Carlos Alberto.
- Ministério Público entra com dois processos contra o clube e aponta seis irregularidades nas categorias de base.
- Fracassaram na organização de um pacote de viagem para acompanhar o time ao Peru pela Libertadores. Sei que o apelo do jogo é diferente, mas outros clubes já conseguiram organizar e vender pacotes para o Mundial de Clubes por preços e distâncias maiores, que eram os argumentos impeditivos citados pelos cariocas.

Fluminense
- Muricy Ramalho já havia reclamado dos ratos nas Laranjeiras, agora acharam um gambá.
- O aproveitamento do time na casa do modesto Madureira nos últimos 20 anos é de apenas 33%.
- Jogador se atrasou para entrevista coletiva porque estava cortando o cabelo.
- Diretoria bate cabeça na demissão do assessor de imprensa. Depois tentaram passar o pano dizendo que foi só um desentendimento e está tudo bem, mas claramente não está.

Botafogo
- Apesar da vitória tomaram vaia da própria torcida, e na entrevista o jogador cornetou o baixo público e o companheiro de elenco pelo erro no gol sofrido.
- Entraram em litígio com a Fila, antiga fornecedora de material esportivo, fecharam contrato com a Puma mas só oficializaram e apresentaram o uniforme novo quatro meses depois, jogando com uniforme sem marca o tempo todo – e perdendo toda a receita de venda de camisas nesse períodos, como não foi apontado por ninguém na imprensa.
- Jobson criou encrenca pela enésima vez.

Internacional
- Jogador some do trabalho por 17 dias, é reintegrado e ninguém da diretoria ou comissão técnica explica o que houve ou se haverá punição.
- Queriam fazer um teste no estádio em obras para saber se haveria problemas de acesso em jogos de grande público, algo que chegasse próximo de 30 mil pessoas. Não foi possível concluir nada porque apenas 7.124 torcedores compareceram.

Grêmio
- Presidente diz que está negociando com um jogador mas não deu nem tempo de contar para a torcida: menos de duas horas depois o jogador desmentiu a existência da negociação e já deixou claro que nem precisa enviar a proposta.
- Outra do presidente: foi fazer discurso no lançamento do uniforme e tomou uma vaia da torcida. Pra piorar, há quem queira Danrlei na Presidência.

Cruzeiro
- Contrataram Alex Silva. Não tiveram grandes problemas recentemente mas só essa já vai garantir material até o fim do ano.

Atlético-MG
- Arquidiocese de Belo Horizonte ignora tradição e impede culto ecumênico pelo aniversário do clube. Aliás, comemoração de quê? A data passou em branco e nem mesmo a torcida se mobilizou para fazer algo.
- No final de Março ainda estava bem díficil para conseguirem terminar de pagar os salários de Janeiro e Fevereiro.

Santos 1×2 Palmeiras – vitória merecida

Globoesporte.com: Neymar marca 100º, mas Palmeiras vira e bate o Santos em Prudente

Antes de a bola rolar, o técnico Luiz Felipe Scolari reclamou muito do forte calor, típico de Presidente Prudente. Ele disse que os jogadores teriam de dar o “couro todo”. E seus comandados ouviram o recado. Desde o apito inicial, os palmeirenses armaram uma forte marcação homem a homem. Felipão até escalou o volante João Vitor em vez do meia Patrik para reforçar a defesa e deixar Valdivia mais solto no ataque.

A princípio, a estratégia deu certo. Cicinho colou no aniversariante Neymar, que ficou apagado. O Mago, por sua vez, aparecia bem. Aos seis minutos, enfiou a bola com perfeição para Luan arrancar livre pela direita. Rafael teve de sair da meta para evitar o gol e acabou deixando a sobra para Juninho, que tentou cruzar para Fernandão, mas errou o passe.

ESPN Brasil: Aniversariante Neymar faz o gol cem, mas Palmeiras vira no final, estraga a festa e vence o Santos

Aos 35, Valdivia se aventurou em jogada individual pela esquerda e bateu fraco. Foi a última jogada do chileno em campo, pois sentiu dores na coxa direita e foi substituído por Daniel Carvalho. Em seu primeiro lance de perigo, Daniel invadiu a área santista driblando a marcação e saiu de frente para o goleiro. O jogador até tentou passar também o arqueiro para chutar, mas Rafael conseguiu fazer a defesa e impedir um golaço.

No intervalo, Muricy Ramalho tirou Borges para a entrada de Alan Kardec. Mas o Palmeiras voltou melhor ao segundo tempo, fazendo uma marcação ainda mais forte. Porém, o Verdão não conseguia transformar a posse de bola em jogadas de real perigo.

iG Esporte: No fim, Palmeiras estraga festa de aniversário de Neymar

Com o freio de mão puxado, Santos e Palmeiras seguiram sem atacar durante os primeiros minutos. Apenas em jogada de bola parada aos 12, a equipe de Luiz Felipe Scolari arriscou o primeiro chute, com Marcos Assunção.

Diferentemente da primeira etapa, quando as equipes voltaram pior após a parada técnica para beber água, o descanso na etapa final ajudou. Aos 23, Marcos Assunção cruzou na segunda trave, Luan bateu de primeira e Rafael fez boa defesa. No minuto seguinte, Ganso cobrou falta na área e Neymar testou com estilo no canto, sem chance para o goleiro Deola: 1 a 0.

Gazeta Esportiva: Palmeiras estraga festa de Neymar com virada emocionante

Logo em seguida, Felipão colocou Maikon Leite, que já se preparava para entrar, no lugar de Luan. Na primeira jogada, Daniel Carvalho lançou Maikon Leite, que tocou por cobertura sobre Rafael, mas Maranhão chegou para afastar antes de a bola entrar. Diante da necessidade de buscar a vitória, Felipão tirou Cicinho para a entrada de Ricardo Bueno.

Lancenet: Haja coração! Em virada histórica, Verdão vence o Peixe no Prudentão

Logo após o gol, o Palmeiras foi para cima, e conseguiu uma virada histórica. Após outro escanteio venenoso de Assunção, Fernandão ( que marcou seu 1º gol pelo Palmeiras no mesmo Prudentão) empatou de cabeça.

O inesperado aconteceu, e em jogada pela esquerda, Juninho chutou cruzado, a bola desviou em Maranhão e foi morrer no fundo das redes. Era a virada, inacreditável do Verdão.

UOL Esporte: Neymar faz gol 100 no dia do aniversário, mas Palmeiras ofusca festa e vira sobre o Santos no fim

O resultado dá motivação extra ao time de Felipão que tenta engrenar no Paulistão. O Palestra conseguiu a segunda vitória seguida e subiu para a terceira colocação na tabela com 11 pontos, dois a menos que Corinthians e Paulista. Já o Santos prolonga o início ruim com apenas um triunfo em cinco jogos e amarga o nono lugar.

Derby, Choque-Rei e Saudade em 2011

Apesar dos resultados ruins nas competições e por não adicionar nenhum troféu de futebol na galeria além do Paulista Sub-17, o Palmeiras não ficou devendo na estatística para nenhum outro do chamado “G4 Paulista” – nossa única desvantagem foi no fator campo (e também extra-campo, mas isso é outra história). Abaixo estão alguns números dos nossos clássicos contra Corinthians, São Paulo e Santos.

Corinthians: uma vitória, dois empates, uma derrota, 3×3 no placar acumulado. Três jogos no Pacaembu e um no Prudentão, levamos 11 amarelos e 3 vermelhos, o rival recebeu 15 amarelos e 2 vermelhos.

São Paulo: dois empates e uma vitória, 3×2 no placar acumulado. Dois jogos no Morumbi e um no Pacaembu, e em cada um o adversário usou um treinador diferente. Levamos 7 amarelos e o inimigo recebeu 6 amarelos e 2 vermelhos.

Santos: duas vitórias e uma derrota, 4×1 no placar acumulado. Dois jogos na Vila Belmiro e um no Pacaembu, foram 7 amarelos para cada lado e nenhuma expulsão.

Na arbitragem foram usados oito árbitros diferentes e apenas um comandou mais de um jogo: Luiz Flávio de Oliveira apitou três clássicos diferentes e ainda foi árbitro adicional em outros dois no Paulista. Seu irmão Paulo Cesar de Oliveira apitou apenas um mas nos deixou um estrago imensurável.

No total recebemos 25 cartões amarelos e 3 vermelhos (os três em Derbys decisivos, coincidência?). Nossos adversários receberam 28 cartões amarelos e 4 vermelhos (dois no último Derby e mais um em cada Choque-Rei do Brasileiro).

Os três piores públicos foram contra o Santos (o estádio acanhado deles é um motivo) e os três melhores foram contra o Corinthians (temos que reconhecer que o sócio-torcedor deles funciona, além da nossa gentileza inocente na partilha dos ingressos). Considerando somente nossos cinco mandos, o público pagante total foi de 128.989 com renda bruta de R$ 3.259.810,00, o que dá um ticket médio de R$ 25,27.

Os números acima estão bons, mas tenho certeza que nenhum palestrino se importaria de trocar uma ou duas vitórias em clássicos por um troféu.

Palmeiras 1×0 São Paulo – vaga garantida na Sul-Americana

Geralmente o Choque-Rei é marcado por muito falatório, especialmente no lado de lá do muro da Academia de Futebol. Dessa vez resolveram manter o silêncio porque o desempenho deles no ano não foi superior ao nosso: ficaram em 4º lugar no Paulista, eliminados nas oitavas da Sul-Americana, também passaram por nove jogos sem vitórias e somaram dez derrotas no Brasileiro.

Antes mesmo do jogo começar, um ensaio de polêmica quando viram o representante da arbitragem carregar camisas presenteadas pelo Palmeiras. Não concordo com o presente, mas é hábito de todos os clubes, inclusive do SPFC – que aliás já ofereceu muito mais, como ingressos de camarote do show da Madonna.

Para os comentaristas foi um jogo morno, com pouca técnica, sem grandes emoções e chances de gol. Mas para quem conhece a história do Choque-Rei foi nervoso, brigado, com bolas na trave de ambos os times e com o habitual domínio palmeirense. Mas dessa vez o domínio finalmente se converteu em vitória no placar, e do melhor modo possível: na bola parada do Marcos Assunção. Apesar de ser uma jogada já bem conhecida e do adversário ter treinado com muito cuidado supondo anular 50% da nossa força, deu tudo errado para eles. Falharam clamorosamente na linha de impedimento e a bola pingou na pequena área do reserva da Copa 2002, antes de entrar nas redes.

A nossa zaga soube aplicar os treinos e evitou as faltas próximas à área, então o goleiro batedor de faltas não foi acionado nenhuma vez. Com isso vencemos um importante clássico, garantimos nossa vaga na Sul-Americana 2012 (pouco, é verdade) e como brinde dificultamos muito a chance do rival ir para a próxima Libertadores.

Este resultado combinado com a sequência das últimas quatro partidas também serviu para mostrar que o camisa 30 Kleber era uma das laranjas podres do elenco, pois sua saída refletiu numa imediata melhora do empenho em campo de todos os atletas.

UOL Esporte: Palmeiras usa ‘fator Assunção’, vence e atrapalha chances de Libertadores do São Paulo

O técnico Emerson Leão treinou a semana inteira a sua defesa para conter a melhor jogada do Palmeiras: a bola parada com Marcos Assunção. Mas de nada adiantou. Com gol de falta do volante, o time alviverde venceu por 1 a 0 e atrapalhou as chances de vaga na Libertadores do rival tricolor.

Lancenet: Salva o ano? Verdão vence e complica o São Paulo

Se alguém só assistisse aos primeiros 15 minutos de partida, poderia pensar que era o Verdão quem lutava por uma vaga na Libertadores e o São Paulo jogava sem responsabilidade – talvez incentivados pelo bicho dobrado, polêmica da semana no Alviverde. Aos 12, Marcos Assunção cobrou escanteio fechado e Rogério salvou. Como de costume, o volante era a principal arma palmeirense e supria a falta de inspiração de Valdivia, escondido na marcação.

Gazeta Esportiva: Marcos Assunção quebra jejum e afasta o São Paulo da Libertadores

Por 20 minutos, o Palmeiras tornou o São Paulo um espectador dentro de campo, vendo-o tocar a bola. Até que os erros na frente apareceram, e o Verdão, então, deu a bola e o ânimo que o rival precisava para chegar ao ataque. O equilíbrio se estabeleceu com a postura que Leão queria, com Dagoberto vindo de trás pela direita e Cícero recebendo a ajuda de Denilson para subir. Na igualdade do confronto, o Palmeiras foi empolgado para o intervalo.

No último lance do primeiro tempo, Rogério Ceni executou duas excelentes defesas em chutes de Luan e Patrik, este último ainda acertando o travessão, e Valdivia deu uma puxeta para fora. O chileno ainda se estranhou com o goleiro do São Paulo por ficar sentado na pequena área, aumentando o clima de rivalidade. O desentendimento, contudo, ficou no vestiário. O que voltou com o Palmeiras foi o ânimo que contagiou a torcida no último minuto do primeiro tempo. Os comandados de Luiz Felipe Scolari voltaram a conseguir impor uma marcação adiantada, bloqueando a ligação dos são-paulinos aos seus atacantes. Só Luis Fabiano conseguiu chance em que chutou rente à trave aos três minutos.

iG Esporte: Assunção decide, e Palmeiras afasta São Paulo da Libertadores

Logo no início, o Palmeiras começou melhor novamente. Primeiro, Valdivia, recebeu passe de Luan pela esquerda e colocou por cima de Rogério Ceni. Na jogada seguinte, o chileno sofreu falta, Marcos Assunção bateu, ninguém desviou e o camisa 1 do São Paulo pulou no vazio. A bola passou, e o placar estava aberto. Para tentar mudar o rumo do jogo, Rivaldo e Marlos entraram nos lugares de Cícero Dagoberto.

O São Paulo até melhorou, começou a criar mais chances, mas sempre errava no último passe. Percebendo que seu time estava acuado, Felipão colocou Chico no lugar de Patrik. A partir daí o time de Leão começou a alçar bolas na área. Em uma delas, Luis Fabiano desviou, e a bola parou nas mãos de Deola. Depois, foi a vez de Rivaldo cabecear a bola em cruzamento por cima de Deola.

Globoesporte.com: Assunção marca, Verdão vence e deixa Tricolor longe da Libertadores

Percebendo o crescimento do rival, Felipão reforçou a marcação alviverde, com Chico na vaga de Patrik. Depois, João Vítor entrou na vaga de Cicinho. Aos 38, o Verdão perdeu a chance de matar a partida. Em rápido contra-ataque, Luan, um dos melhores em campo, tocou para Valdivia, que só rolou para Fernandão. Cara a cara com Ceni, ele bateu cruzado, na trave direita do goleiro são-paulino.

No fim, desespero dos dois lados – o São Paulo para empatar e o Verdão para segurar a vitória. Mais competente e, principalmente, com mais garra, o Palmeiras soube segurar o resultado. A euforia foi completa no Pacaembu porque o placar eletrônico anunciou o gol da vitória por 2 a 1 do Vasco sobre o Fluminense no Engenhão, resultado que adiou a definição do título brasileiro para a última rodada. Palmeirenses, felizes com a vitória, e são-paulinos, que tiveram pelo menos algo para comemorar, fizeram muita festa.

A regra é clara?

Não é nenhuma novidade que existe uma falta de critério imensa no futebol. Cada um dos envolvidos nas decisões do esporte (árbitros, juízes e promotores do STJD, até mesmo jornalistas pela “formação de opinião”) enxergam um mesmo lance por prismas diferentes. A FIFA diz que é essa polêmica que faz o futebol ser tão empolgante, mas vá tentar convencer o torcedor de um clube que é sempre prejudicado nessas ocorrências.

Nos vídeos abaixo, dois lances distintos que podem ter influenciado o resultado do jogo e até mesmo do campeonato. Primeiro, o pênalti sofrido pelo Kleber no Choque-Rei de domingo e que não foi marcado, onde o jornalista Flávio Prado teve a coragem de sugerir que o Kleber é quem teria feito a falta e foi imediatamente rebatido pelo ex-árbitro Oscar Roberto Godói. O segundo vídeo é o pênalti não-sofrido pelo Ronaldo no Corinthians em 2010 e que foi marcado.

São Paulo 1×1 Palmeiras – poderíamos ter vencido

O Palmeiras foi aquele de sempre, com mais oportunidades de gol, mais posse de bola porém com muitas dificuldades em concluir pra dentro da rede. O adversário foi aquele de sempre, que levanta os braços em todos os lances, que no fair-play no meio de campo chuta no nosso goleiro e pressiona a saída de bola, que não faz nada o jogo inteiro mas acaba achando um gol.

Considerando que a partida foi um clássico na casa do adversário, estávamos desfalcados, com muitos pendurados nos cartões e com o Abade na arbitragem, até que não foi um resultado ruim; mas o que chateia o palmeirense hoje é que tínhamos condições de sair com uma vitória, estamos há seis partidas sem vencer e perdemos o Cicinho para o Derby da próxima semana.

Gazeta Esportiva: Pouco inspirados, Tricolor e Verdão empatam e ficam longe da ponta

Nas novidades armadas pelos dois treinadores, Luiz Felipe Scolari começou em vantagem. Ao optar por três zagueiros, com João Filipe pela direita, Rhodolfo no meio e Xandão pela esquerda, Adilson Batista abriu mão de Cícero e perdeu um homem no meio-campo. Os três volantes do Palmeiras (Chico, Márcio Araújo e Marcos Assunção) souberam se aproveitar disso. Chico começou a partida perseguindo Rivaldo, Márcio Araújo ficou na cola de Carlinhos Paraíba para anular a saída de bola adversária e Marcos Assunção teve liberdade para armar os avanços. Com o Rivaldo palmeirense alternando-se com Luan na lateral esquerda, Piris, sem cacoete para ala, recuava como um lateral.

Lancenet: São Paulo e Palmeiras ficam só no empate no Morumbi

Aos 41 minutos, o atacante [Dagoberto] recebeu passe de Rivaldo, passou por Leandro Amaro e aproveitou a saída de Marcos para marcar por cobertura.

iG Esporte: São Paulo e Palmeiras empatam por 1 a 1 no Morumbi

No intervalo, Felipão sacou Márcio Araújo e colocou Maikon Leite. Com mais um atacante, o treinador tentou aumentar as possibilidades da sua equipe e teve logo no início do segundo tempo grande oportunidade de empatar. Patrik, aos três minutos, cabeceou firme, de dentro da pequena área, e Ceni espalmou. Melhor, o Palmeiras tocava a bola e minava as chances do São Paulo tendo a posse de bola.

UOL Esporte: Golaço de Dagoberto e bola parada de Assunção definem ‘empate ruim’ entre SP e Palmeiras

No segundo tempo, Felipão colocou Maikon Leite no lugar de Márcio Araújo. O Palmeiras melhorou, passou a jogar com a bola nos pés, encurtou os espaços e diminuiu os erros. O time chegava ao ataque, mas não tinha poder de definição, um velho problema da equipe. Até surgir Marcos Assunção, praticamente única opção de gol nos últimos jogos. Ele cobrou falta na cabeça de Henrique que deixou tudo igual aos 16 minutos. O São Paulo sentiu o empate e não ameaçou o gol de Marcos. O Palmeiras tinha mais chances, mas faltava qualidade para virar.

ESPN Brasil: São Paulo e Palmeiras abrem semana decisiva com empate em clássico morno

Ter seus atletas derrubados é o que o Verdão mais gosta, e os comandados de Adilson Batista pareciam não saber disso. Deram três oportunidades para Marcos Assunção cruzar na área. Na terceira, Henrique cabeceou no ângulo de Rogério Ceni para empatar, aos 16 minutos do segundo tempo. Os donos da casa pareceram ter esquecido também como atacar. Completamente confuso para voltar a achar tabelas na frente, deu espaço para os palmeirenses continuarem a dar arrancadas só paralisadas com faltas. Os dois times, entretanto, passaram a depender demais da bola parada. Insuficiente para que houvesse um vencedor na fria tarde de domingo no Morumbi.

Globoesporte.com: Muita luta e pouca técnica: Tricolor e Verdão ficam no empate no Morumbi

O Palmeiras seguiu melhor após a igualdade. Kleber, caindo pelos dois lados, levava ampla vantagem. Cada bola cruzada na área são-paulina dava calafrios no torcedor são-paulino, apesar dos três zagueiros terem mais do que 1,90m. Do meio para a frente, Rivaldo, Dagoberto e Fernandinho despareceram em campo.

Cada torcida tem o ídolo que merece

Verdazzo: A falácia do fim-de-semana.

Um sujeito que faz 100 gols, sendo que é batedor oficial de faltas e pênaltis há 14 anos, é pouco eficiente. Alguém nessa condição não pode ter média de pouco mais de 7 gols por ano. Já devia estar na casa dos 250, pelo menos. O fato estatístico comemorado este final de semana, na verdade, é banal.

Ontem nosso adversário abriu os portões do seu estádio para celebrar dois de seus funcionários. Dizem por aí que havia mais de 40 mil dos seus simpatizantes presentes, mas sou só eu que acha esse número muito estranho? Não questiono a quantidade presente e sim a relevância do evento se comparado a uma partida, a razão de ser de um clube de futebol. Conferi os boletins financeiros e vi que a média de público deles é em torno de 14 mil pessoas, sendo que o recorde de 2011 foi contra o Palmeiras com 26138 pagantes. Como pode uma mera apresentação de atleta ter quase três vezes mais público que a média num jogo de futebol?

Simpatizantes e jornalistas explicam dizendo que era uma homenagem a dois grandes “ídolos” da agremiação. Pode até ser, mas eu lembro claramente da tarde de 27 de Junho de 2004 no Pacaembu, onde a mesma torcida vestia amarelo e gritava “Luis Pipoqueiro” e “Rogério Frangueiro”, em colocações bem diferentes da nossa tradicional bipolaridade palestrina. Já pensou fazermos uma festa dessa para comemorar o retorno do Keirrison? É muita falta de amor próprio. Enfim, não é problema nosso e isso só reforça o que sempre digo: cada torcida tem o ídolo que merece e cada ídolo tem a torcida que merece.

Abre o olho, promotor

Depois de doze dias do clássico Choque-Rei apareceu o promotor Paulo Castilho, do Juizado Especial Criminal, dizendo que pode denunciar o nosso treinador Felipão por um “suposto gesto obsceno” em direção à torcida tricolete, que nadava nas arquibancadas alagadas do Morumbi. O zeloso promotor teria até mesmo requisitado imagens de TV para averiguar se houve uma incitação à violência com o suposto gesto.

Gostaria de saber se o senhor promotor também vai denunciar o zagueiro tricolete Alex Silva, que no mesmo dia publicou no seu twitter mensagens claras de incitação à violência contra nosso meia Valdívia, sugerindo uma briga de rua entre os dois. Isso não é caso para denúncia similar, com claras provas a favor de uma punição ao atleta?

São Paulo 1×1 Palmeiras – mais um Choque-Rei com confusão

O primeiro tempo foi muito atrapalhado: a partida foi atrasada em uma hora devido ao estado do gramado, prejudicado pela forte chuva, o corredor do vestiário visitante estava alagado, o banco de reservas estava impossível de ser usado, o aquecimento estava prejudicado… Sem condições de conduzir um trabalho profissional devido à “pirotecnia do estádio”, como gosta de dizer o presidente eterno do adversário. E ainda teve a paralisação por 15 minutos pela queda de energia que apagou os refletores, então jogo de verdade só houve no segundo tempo.

Nem adianta mais repetir que a falta de um atacante de ofício é o que prejudica as finalizações do Palmeiras. Apesar da entrada do Adriano ter melhorado o ataque, não se pode desconsiderar que o adversário estava com defensor a menos (expulso com justiça por conduta anti-desportiva) e que o treinador adversário errou em suas substituições, deixando seu próprio meio campo mais lento e incapaz de correr nos contra-ataques.

ESPN Brasil: São Paulo e Palmeiras empatam clássico marcado por chuva, atraso e apagão

O São Paulo teve as melhores chances no primeiro tempo, mas parou na falta de pontaria e nas boas defesas de Deola. Na etapa final, porém, a equipe de Luiz Felipe Scolari foi mais incisiva e tomou o controle do jogo com a expulsão de Alex Silva aos 13 minutos ao empurrar o atacante Adriano.

UOL Esporte: São Paulo e Palmeiras empatam em clássico tenso e atrasado por temporal

O clássico continuou tenso na etapa complementar. Miranda e Kleber discutiam em campo. A cada lance envolvendo o atacante palmeirense, os jogadores do São Paulo cobravam o árbitro, pedindo cartão amarelo ao camisa 30. No jogo da guerra de nervos, o Palmeiras levou a melhor. Alex Silva foi expulso aos 13 min da 2ª etapa por empurrar Adriano sem bola. Em seguida, Marcos Assunção foi advertido com cartão amarelo. O São Paulo queria a expulsão do volante. Felipão sacou Assunção, temendo que ele fosse expulso, e colocou João Vitor. A equipe aumentou o volume ofensivo. Tinga quase empata.

Gazeta Esportiva: São Paulo e Palmeiras empatam em maratona no Morumbi

O clima em campo voltou a esquentar a partir do momento em que Miranda reclamou de uma cotovelada de Kleber. Na sequência do lance, Dagoberto acertou Tinga na lateral e recebeu amarelo. Os são-paulinos demonstravam irritação com a arbitragem. E a falta de controle emocional custou caro ao Tricolor. Aos 12 minutos, Alex Silva foi reclamar de uma simulação de Adriano “Michael Jackson”, que tinha acabado de entrar em campo, deu um tranco no adversário e foi expulso. Pouco depois, os donos da casa partiram para cima do árbitro para pedir a expulsão de Marcos Assunção em uma falta em Fernandinho. No lance, saiu somente o amarelo.

Globoesporte.com: Após chuva e apagão, ‘dancinha’ define empate entre Tricolor e Verdão

Aos 37 minutos, após falha da defesa tricolor no meio de campo, Adriano recebeu em profundidade e saiu na cara do gol. Mas Ceni cresceu na frente dele e defendeu. O empate já era uma realidade. Tanto que, no lance seguinte, aos 39, uma bela trama de Valdivia e Kleber terminou nos pés de Adriano. Desta vez, ele chutou de esquerda e tirou Rogério do lance: 1 a 1, com direito, enfim, à prometida dancinha de Michael Jackson na comemoração. Empate razoável para as equipes depois de uma tarde tão estranha.

Massa de manobra

Na mais recente entrevista do ditador daquele clube lá na Vila Sônia, um desfile de arrogância e prepotência em quase todos os parágrafos. Chega a ser divertido, pois quase todas as suas frases contradizem sua maior citação: “quando eu falo, não digo abobrinhas!”.

E enquanto há anos no Palmeiras os torcedores se mobilizam para votar e se eleger numa autêntica democracia (incluindo direito de voz ativa para oposições), neste outro clube a torcida tricolete é massa de manobra para manter o status quo ditatorial imposto pela diretoria. A oposição é pequena pois a maioria está cega pelo brilho de alguns títulos, e justamente por ser pequena desistiram do movimento.

Enquanto eram distribuídos panfletos na porta do estádio do Canindé, antes do jogo A. Portuguesa de Desportos e SPFC, ocorreu um lamentabilíssimo episódio que deveria envergonhar qualquer cidadão. Mais ainda os sãopaulinos e mais ainda, a diretoria do SPFC. O Conselho Deliberativo, também, desde que não tenha perdido a vergonha de se envergonhar.

Representantes uniformizados de uma certa torcida dita organizada, que demonstra ser oficial, talvez por receber subsídios como: ingressos, ônibus e sabe-se lá mais o quê, encarregou-se de, com exacerbada truculência, cercar um membro ativo do movimento, tomar-lhe à força os pacíficos panfletos que distribuía, não sem ameaçar de agressão física a ele e a quem mais estivesse panfletando.

E por falar em massa de manobra, o próprio presidente Juvenal se tornou uma ao aceitar a tal Taça de Bolinhas; a CBF lava as mãos e deixa o São Paulo e o Flamengo brigarem e racharem entre si, desmontando uma aliança forte contrária aos interesses da própria CBF e seu presidente Ricardo Teixeira, justamente agora que os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro estão sendo renegociados.