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Os chutes certeiros de Marcos Assunção

Marcos Assunção fez dois gols de bola parada na quarta-feira da semana passada, e mais um gol “e meio” na partida da última quarta; o primeiro foi direto para as redes e o segundo encontrou a cabeça do lateral direito estreante Artur. Dos onze gols marcados até a sexta rodada, sete tiveram a participação do nosso capitão cobrador de faltas e escanteios (e exatamente no momento em que publico este post, Hernán Barcos acaba de marcar um gol contra o Ituano após cobrança de escanteio do Assunção).

O lugar comum da imprensa agora é dizer que o Palmeiras “é dependente do Marcos Assunção” e que as cobranças de falta e escanteios na primeira trave “são jogadas manjadas”. Gostaria muito de ter a oportunidade de fazer aos críticos três considerações:

Primeiro, bola parada é do jogo, se não fosse então não existiria cobrança de tiro direto; um gol em cobrança de falta pode ser mais feio que o gol de uma calopsita driblando cinco adversários e entrando com bola e tudo e fazendo dancinha, mas ambos valem apenas um ponto no placar. Se o Palmeiras tem um exímio cobrador de faltas e escanteios, então isso deveria ser exaltado como uma virtude do time e não como uma fraqueza (“o Palmeiras só consegue fazer gol de bola parada”).

Segundo, se a jogada é manjada e ainda assim acontece em quase toda partida, então os cronistas deveriam fazer notar a desorganização dos adversários para evitá-la. Se sabem que este é nosso ponto forte, então marquem corretamente os palmeirenses nos escanteios e evitem cometer faltas a partir da sua intermediária; estão sofrendo nossos gols por não saberem fazer a lição de casa.

E terceiro, o gol na cobrança de falta ocorre porque uma infração foi cometida pelo adversário, e o alto número de cobranças feitas pelo Marcos Assunção deveria ativar um alerta em todos – imprensa, federações, comissões de arbitragem – para o número excessivo de infrações que os palmeirenses sofrem, especialmente o vergonhoso rodízio de faltas que cometem no Valdivia.

Derby, Choque-Rei e Saudade em 2011

Apesar dos resultados ruins nas competições e por não adicionar nenhum troféu de futebol na galeria além do Paulista Sub-17, o Palmeiras não ficou devendo na estatística para nenhum outro do chamado “G4 Paulista” – nossa única desvantagem foi no fator campo (e também extra-campo, mas isso é outra história). Abaixo estão alguns números dos nossos clássicos contra Corinthians, São Paulo e Santos.

Corinthians: uma vitória, dois empates, uma derrota, 3×3 no placar acumulado. Três jogos no Pacaembu e um no Prudentão, levamos 11 amarelos e 3 vermelhos, o rival recebeu 15 amarelos e 2 vermelhos.

São Paulo: dois empates e uma vitória, 3×2 no placar acumulado. Dois jogos no Morumbi e um no Pacaembu, e em cada um o adversário usou um treinador diferente. Levamos 7 amarelos e o inimigo recebeu 6 amarelos e 2 vermelhos.

Santos: duas vitórias e uma derrota, 4×1 no placar acumulado. Dois jogos na Vila Belmiro e um no Pacaembu, foram 7 amarelos para cada lado e nenhuma expulsão.

Na arbitragem foram usados oito árbitros diferentes e apenas um comandou mais de um jogo: Luiz Flávio de Oliveira apitou três clássicos diferentes e ainda foi árbitro adicional em outros dois no Paulista. Seu irmão Paulo Cesar de Oliveira apitou apenas um mas nos deixou um estrago imensurável.

No total recebemos 25 cartões amarelos e 3 vermelhos (os três em Derbys decisivos, coincidência?). Nossos adversários receberam 28 cartões amarelos e 4 vermelhos (dois no último Derby e mais um em cada Choque-Rei do Brasileiro).

Os três piores públicos foram contra o Santos (o estádio acanhado deles é um motivo) e os três melhores foram contra o Corinthians (temos que reconhecer que o sócio-torcedor deles funciona, além da nossa gentileza inocente na partilha dos ingressos). Considerando somente nossos cinco mandos, o público pagante total foi de 128.989 com renda bruta de R$ 3.259.810,00, o que dá um ticket médio de R$ 25,27.

Os números acima estão bons, mas tenho certeza que nenhum palestrino se importaria de trocar uma ou duas vitórias em clássicos por um troféu.

A regra é clara?

Não é nenhuma novidade que existe uma falta de critério imensa no futebol. Cada um dos envolvidos nas decisões do esporte (árbitros, juízes e promotores do STJD, até mesmo jornalistas pela “formação de opinião”) enxergam um mesmo lance por prismas diferentes. A FIFA diz que é essa polêmica que faz o futebol ser tão empolgante, mas vá tentar convencer o torcedor de um clube que é sempre prejudicado nessas ocorrências.

Nos vídeos abaixo, dois lances distintos que podem ter influenciado o resultado do jogo e até mesmo do campeonato. Primeiro, o pênalti sofrido pelo Kleber no Choque-Rei de domingo e que não foi marcado, onde o jornalista Flávio Prado teve a coragem de sugerir que o Kleber é quem teria feito a falta e foi imediatamente rebatido pelo ex-árbitro Oscar Roberto Godói. O segundo vídeo é o pênalti não-sofrido pelo Ronaldo no Corinthians em 2010 e que foi marcado.

Palmeiras 1×1 Bahia – um único lance representou nossos últimos 35 anos

Por volta dos 19 minutos do segundo tempo o camisa 22 do adversário (Titi) fez falta dura no Valdívia na entrada da área digna de advertência (seria expulso pelo 2º amarelo), mas o árbitro mostrou o amarelo apenas para o Valdívia por reclamação. A barreira adversária andou em direção à bola reduzindo o espaço regulamentar para a cobrança e o árbitro deixou acontecer sem advertências. Na continuação do lance após a cobrança um adversário atropelou um palmeirense, também na entrada da área, e o árbitro mandou seguir o jogo em um contra-ataque do Bahia. Segundos depois o adversário se aproximou da nossa intermediária e em um lance normal de jogo o árbitro apitou falta contra o Palmeiras. Na cobrança dessa falta o camisa 22 adversário – atenção, o mesmo que deveria ter sido expulso um minuto antes – cabeceou impedido e marcou o gol contra o Palmeiras, validado incorretamente pelo árbitro. Aliás, eram dois adversários impedidos neste lance.

Esse pequeno momento de 2 ou 3 minutos neste jogo exemplificou com clareza como o Palmeiras tem sido desrespeitado, insultado e maltratado nos últimos 35 anos por árbitros, adversários e federações – isso tudo sem contar o (por falta de melhor expressão) fogo-amigo disparado dentro das alamedas do Palestra, onde alguns poucos de sobrenomes conhecidos alimentam suas vaidades às custas das emoções de milhões.

Assim que o árbitro apitou o final do assalto, alguma torcida organizada gritou “time sem-vergonha” como mostra de sua indignação pelo resultado. Oras, até jogamos bem dentro das nossas atuais limitações de elenco: 55% de posse de bola, 23 finalizações (12 certas), duas bolas na trave ainda no primeiro tempo. Se não vencemos, foi pela dificuldade dos nossos 11 atletas conseguirem melhor sorte em frente a 14 adversários.

Frases “fortes” gritadas da arquibancada são somente palavras ao vento. Os organizados deveriam expressar sua indignação se associando ao clube, arrecadando correligionários e votos para os conselheiros merecedores desta distinção (sim, existem!), combatendo as ratazanas nas alamedas que agem contra o clube com suas fofocas para a crônica esportiva e diversas outras violações do artigo 33 do Estatuto.

A cada ponto roubado de nós como nesta noite eu gosto mais do Palmeiras e menos de futebol, por mais contraditório que seja.

UOL Esporte: Palmeiras cede empate, prolonga má fase e ouve gritos de ‘time sem vergonha’

Logo no início do jogo, o Palmeiras perdeu seu homem centralizado quando Dinei caiu com dores na coxa direita. Maikon Leite entrou bem, mostrando que banco de reservas pode ser eficiente. Em poucos minutos, o atacante criou duas chances consistentes e mais uma vez o time de Felipão sofria por criar muito e não conseguir concluir.

Gazeta Esportiva: Vaiado, Palmeiras cede empate ao Bahia e aumenta jejum no Brasileiro

O ex-santista entrou bem e foi o responsável pela primeira boa jogada do Verdão, quando recebeu na meia-lua, girou e arrematou rasteiro, carimbando a trave dos visitantes. Pouco depois, o time mandante ameaçou novamente. Valdivia dominou pela esquerda e fez bom passe em profundidade para Luan, que cruzou. Kleber apareceu na pequena área e não alcançou, mas Maikon Leite se esforçou na segunda trave para finalizar, exigindo boa defesa de Marcelo Lomba.

Lancenet: Crise sem fim! Verdão sai na frente, mas empata com o Bahia

É bem verdade que o primeiro tempo do Palmeiras começou devagar… Quando engrenou, no entanto, o Verdão criou boas chances e o empate sem gols até o intervalo foi injusto. Luan cruzou pela esquerda a bola atravessou a área baiana. Kleber e Marcelo Lomba viram passar e ela sobrou para Maikon Leite chutar. O goleiro do Bahia voltou a tempo e, com o pé, tirou em cima da linha! Aos 43 minutos, Kleber chutou de fora da área, a bola pegou efeito e, mais uma vez, carimbou a trave do Bahia. Nos rápidos contra-ataques orquestrados por Carlos Alberto e finalizados por Jobson, o time visitante até chegou, mas não soube ser incisivo o bastante e as chances reais foram poucas.

iG Esporte: Palmeiras comete erros de sempre e fica no empate com o Bahia

No 2º tempo, os times voltaram sem alterações e a tônica do jogo foi a mesma. O Palmeiras era bem melhor que o Bahia e precisava acertar o pé para conseguir abrir o placar. Aos 9 minutos, Cicinho fez boa jogada pela direita, cruzou e, finalmente, alguém acertou o chute. Valdivia desviou a bola quase na entrada da pequena área e abriu o placar.

Globoesporte.com: Palmeiras pressiona, mas para nas mãos de Lomba e empata com Bahia

Era o gol para tirar o peso, a fase ruim do ataque palmeirense, que só havia feito um golzinho nos últimos quatro jogos. A torcida se empolgou e empurrou o time. A partida estava sob controle. Mas aí a bola aérea voltou a assombrar aos 22 minutos, quando o Verdão tinha o domínio das ações. Em posição de impedimento, Titi se antecipou ao goleiro Marcos e completou cobrança de falta da entrada da área, fazendo 1 a 1. A arbitragem validou o gol. Felipão se irritou com mais uma falha na bola aérea e imediatamente sacou Márcio Araújo para colocar Chico, jogador mais alto. Não adiantou. O Palmeiras perdeu o controle emocional depois do gol e deixou o Bahia tomar conta do jogo.

ESPN Brasil: Palmeiras cede empate ao Bahia e completa o quinto jogo seguido sem vencer

O Palmeiras, então, se lançou no desespero ao ataque, mas não conseguiu evitar o empate. O goleiro Marcelo Lomba fez grande defesa em chute de Maikon Leite.

Memória seletiva da imprensa esportiva

A imprensa esportiva faz questão absoluta de relembrar derrotas do Palmeiras de quase dez anos atrás mas “esquece” de outras informações relevantes nos principais debates da semana.

Hoje o UOL Esporte registra pela enésima vez as eliminações do Palmeiras na Copa do Brasil, um relato que é repetido em toda rodada deste campeonato. Logo no primeiro parágrafo citam um “tabu superior a dez anos”, expressão negativa que nunca é usada em notícias do São Paulo, Atlético-MG, Botafogo e Vasco, que jamais venceram esta competição.

A polêmica da semana é a arbitragem desastrosa do Paulo Cesar de Oliveira no Derby 337. Apesar do Felipão ter citado que o Palmeiras foi prejudicado trinta vezes por este árbitro, nenhum veículo de comunicação fez nesta semana o registro de sequer uma única ocorrência de erro que ele já tenha causado contra o Palmeiras.

Esquecem que no Brasileiro 2010 Paulo Cesar de Oliveira validou um gol impedido do Corinthians… contra o Palmeiras.

Esquecem que no Paulista 2010 Paulo Cesar de Oliveira foi suspenso por cinco rodadas após um erro absurdo de validar um gol em completo impedimento após cobrança de pênalti… contra o Palmeiras.

Esquecem que no Paulista 2008 Paulo Cesar de Oliveira validou um gol de mão do São Paulo… contra o Palmeiras.

No total foram 28 partidas, 11 pênaltis contra, 17 cartões vermelhos, e apenas 8 vitórias contra 13 empates e 7 derrotas. Certamente reencontraremos este árbitro em mais dois ou três jogos neste ano, pois a Federação Paulista de Futebol e sua Comissão de Arbitragem não admitem nenhuma crítica mesmo com o histórico da Máfia do Apito tendo ocorrido com integrantes do seu quadro.