Parafraseando Euclides da Cunha em seu livro Os Sertões, “o palmeirense é, antes de tudo, um forte”. Não é para qualquer um, as provações da fé são exigidas jogo após jogo. Completamente irreconhecível em campo, a sova foi daquelas que só levávamos com os elencos contratados pelo Mustafá Contursi. Era a nossa camisa de quase 100 anos em campo, eram os nomes que estamos acostumados a gritar lá da arquibancada, mas não era nem de perto o mesmo desempenho de quatro dias atrás na semifinal do Paulista.
Mais uma vez, repetimos nossa sina de eliminações para times pequenos. O adversário, por mais que seja o atual campeão paranaense, não passava de um catado de refugos num esquema bem arrumadinho e jogando com boa vontade – a mesma boa vontade que faltou no Palmeiras nesta noite.
Lamentei o 1×0 por ser mais um gol daquele mesmo jeito de sempre, com o adversário cabeceando quase sem tirar o pé do chão. Enquanto estava 2×0 eu ainda contava com um gol solitário para facilitar um pouco a missão no segundo jogo. No 3×0 ainda fui convencido por alguns amigos que no segundo tempo a atitude em campo iria mudar. No 4×0 eu passei a olhar só para o relógio e torcer pelo apito final. No 5×0 pensei que a defesa parou esperando que EU saísse de casa e fosse lá em Curitiba tirar a bola do adversário. Esqueci o que pensei no 6×0 e nos dez minutos seguintes.
Foram dez gols sofridos em 21 rodadas do Paulista; em uma única noite aumentamos essa marca em dolorosos 60%. Só tivemos uma expulsão em 25 partidas de 2011 e de repente tivemos duas em dois jogos seguidos. Neste ano só sofremos dois gols na mesma partida em duas oportunidades, e nas únicas duas derrotas foi por apenas um gol de diferença; nem sei como comparar com o placar de hoje.
Eu fui contra a entrada do Marcos só para defender os pênaltis no Derby 337, e também fui contra seu retorno para esse jogo. Seria bem melhor colocá-lo em alguns jogos mais fáceis do Brasileiro como mandante do que em um mata-mata como visitante. Não que ele tenha sozinho culpa direta pelos gols, mas como sempre botou gasolina na fogueira em suas perigosas entrevistas no gramado.
Também sou contra fritar o Felipão por esse resultado, mas pode ter certeza que isso vai acontecer por pressão de alguns conselheiros membros do COF e aliados de Mustafá Contursi. Por outro lado, gostaria de saber o motivo do nosso comandante pedir tanto por um camisa 9 e deixá-lo no banco – acredito que tenha algum motivo tático de marcação, mas se a tática é mais importante que o atacante atuando então toda a gritaria por sua contratação só gerou polêmicas desnecessárias.
Amanhã eu não terei vergonha de ser palmeirense por este resultado, como nunca tive na vida por nenhuma situação de campo. O que me dá vergonha, de verdade, é de ter um presidente que se esconde atrás de alguns conselheiros parvos, que o tratam como marionete e emperram a reconstrução do nosso estádio e sede social. Que articulam em jantares e churrascos não tão secretos como agir para derrubar o Frizzo, o Felipão, a WTorre. A nossa força de resistência é grande e está calcada na alma da nossa torcida, em alguns dos nossos mais honrados conselheiros e na decisão soberana da Assembléia Geral de Sócios.
Para o segundo jogo no Pacaembu prevejo público de até 4 mil abnegados e me iludo com a possibilidade de uma vitória inútil de 2×0.
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