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No gramado dos outros também tem barro

Como foi bem observado pelo uruguaio Loco Abreu, a imprensa esportiva brasileira faz “jornalismo de confusão”, sempre dando mais importância no que é negativo do que no positivo. Não importa o estudo da tática e a construção das jogadas, pois o que vende jornais e gera pageviews é falar sobre gol perdido, sobre fofoca de bastidores, sobre má-fase, jejuns e “tabus”. Amargurados nas redações redigem as crônicas das partidas como se estivessem relatando acidentes de trânsito, e relatam o dia a dia dos clubes destacando todos os erros e omitindo os pequenos acertos.

Mas isso tudo o palmeirense já sabe há muito tempo, pois todo dia tem pelo menos uma ou duas “Crises no Palestra”. Como o Palmeiras nos basta, muitos de nós fechamos os olhos e não nos importamos com o noticiário dos outros clubes, chegando até a imaginar uma certa perseguição contra nós nas redações. Mas se olharmos com atenção encontraremos notícias ruins em todos os outros clubes quase na mesma proporção que no Palestra Itália.

Mas então o que faz o noticiário do Palmeiras tomar uma dimensão maior do os outros? Algumas teorias não comprovadas:

  • O tamanho da torcida palmeirense contribui com o eco. Considerada a 4ª maior, espalhada por todo o país e altamente conectada, a repercussão é obviamente maior do que times regionais como Grêmio e Internacional, ou de pequena torcida como Santos, Fluminense e Botafogo.
  • A torcida palmeirense “compra” a notícia ruim. Ela deixa comentário no blog do jornalista fofoqueiro, ela reclama no Twitter da manchete maldosa, ela repercute tudo o que ouve sobre o time sem fazer filtro.
  • A torcida palmeirense é engajada com a política do clube. Na busca por mais conteúdo a imprensa esportiva se excede para além das quatro linhas e invade a administração e até mesmo o clube social em busca de mais problemas para suas tiragens e pageviews – com isso nós duplicamos as possibilidades de pauta para a imprensa. A política do Palmeiras não é mais nem menos confusa do que qualquer outro clube, só parece que é por ser a única com seus fatos expostos. Ou você acha que não teve nenhuma sujeira na política interna para levantar o Itaquerão ou para o presidente do SPFC se perpetuar no cargo?
  • A torcida palmeirense é exigente. Não basta o jogador vir para compor elenco, tem que ser craque. Não basta lançar plano sócio-torcedor, tem que ter direito a voto direto pra Presidente. Não basta construir um estádio novo, tem que nos explicar o motivo de num certo dia serem instaladas menos estacas que no dia anterior. Com essa exigência toda, é normal que a corneta esteja sempre tocando alto.

Fiz uma pesquisa com uma amostragem bem pequena, considerando apenas as últimas três semanas no UOL Esporte com uma ou outra notícia do Globoesporte.com – fiz essa escolha para facilitar a pesquisa, já que a amargura é uma característica bem marcante da redação do UOL Esporte. Também limitei a busca nos outros 11 clubes nacionais que junto com o Verdão são os considerados “grandes” do futebol nacional.

Qualquer uma das ocorrências abaixo seria bem mais polemizada caso ocorresse no Palmeiras.

Corinthians
- Itaquerão (aquele construído com dinheiro público) terá estátua de São Jorge do tamanho do Cristo Redentor. Perguntinha que ninguém na imprensa fez: quanto custaria? Não podia usar esse dinheiro para ajudar a pagar a construção do estádio hiper-faturado sem se locupletar com os cofres que foram enchidos com nossos impostos?
- Nem mesmo com o status de campeão nacional e com falácia forçada de “time do povo” conseguem acertar um patrocinador master. Tentam de tudo para agradar (camisa com logotipo para presidente da Hyundai), inventam delírios (carros da marca para os jogadores) mas na hora final o patrocinador desaparece.
- Jogador chamado Marcio (porém conhecido como Emerson?) e com histórico de acusações de contrabando e lavagem de dinheiro é pego em Blitz Lei Seca, recusa bafômetro e perde a habilitação.

São Paulo
- Treinador bate de frente com diretor, que por sua vez coloca em xeque a condição psicológica de um atleta.
- Já são quase três meses e meio sem patrocinador master, uma receita perdida que não tem volta para um espaço que ninguém parece estar interessado – pelo menos não nos valores que são pedidos.

Santos
- Presidente diz que hoje venceriam o Barcelona. Curiosamente, no mesmo dia que ele disse isso tomaram uma virada do São Caetano com o time completinho. Tá pensando o quê, que Anacleto Campanella é Camp Nou?
- Jogador falta treino para audiência na Justiça de um caso bizarro protagonizado por ele.

Flamengo
- Torcida protestou a fase do time jogando ovos no ônibus, sem se esquecer da pipoca e do nariz de palhaço.
- Ronaldinho Gaúcho levou uma grana (rubro)preta em 1 ano e pouco no clube, não convenceu e quer ir embora – o que tornaria ainda mais difícil a busca pelo patrocinador master e a reeleição da presidenta.
- Pra “animar” os jogadores na Libertadores, o clube pagou os salários de Fevereiro em Abril!

Vasco da Gama
- Elenco tentou agredir árbitro e tomou borrachada da Polícia. Com diversos expulsos numa situação mal-explicada da súmula, querem a salvação com… Carlos Alberto.
- Ministério Público entra com dois processos contra o clube e aponta seis irregularidades nas categorias de base.
- Fracassaram na organização de um pacote de viagem para acompanhar o time ao Peru pela Libertadores. Sei que o apelo do jogo é diferente, mas outros clubes já conseguiram organizar e vender pacotes para o Mundial de Clubes por preços e distâncias maiores, que eram os argumentos impeditivos citados pelos cariocas.

Fluminense
- Muricy Ramalho já havia reclamado dos ratos nas Laranjeiras, agora acharam um gambá.
- O aproveitamento do time na casa do modesto Madureira nos últimos 20 anos é de apenas 33%.
- Jogador se atrasou para entrevista coletiva porque estava cortando o cabelo.
- Diretoria bate cabeça na demissão do assessor de imprensa. Depois tentaram passar o pano dizendo que foi só um desentendimento e está tudo bem, mas claramente não está.

Botafogo
- Apesar da vitória tomaram vaia da própria torcida, e na entrevista o jogador cornetou o baixo público e o companheiro de elenco pelo erro no gol sofrido.
- Entraram em litígio com a Fila, antiga fornecedora de material esportivo, fecharam contrato com a Puma mas só oficializaram e apresentaram o uniforme novo quatro meses depois, jogando com uniforme sem marca o tempo todo – e perdendo toda a receita de venda de camisas nesse períodos, como não foi apontado por ninguém na imprensa.
- Jobson criou encrenca pela enésima vez.

Internacional
- Jogador some do trabalho por 17 dias, é reintegrado e ninguém da diretoria ou comissão técnica explica o que houve ou se haverá punição.
- Queriam fazer um teste no estádio em obras para saber se haveria problemas de acesso em jogos de grande público, algo que chegasse próximo de 30 mil pessoas. Não foi possível concluir nada porque apenas 7.124 torcedores compareceram.

Grêmio
- Presidente diz que está negociando com um jogador mas não deu nem tempo de contar para a torcida: menos de duas horas depois o jogador desmentiu a existência da negociação e já deixou claro que nem precisa enviar a proposta.
- Outra do presidente: foi fazer discurso no lançamento do uniforme e tomou uma vaia da torcida. Pra piorar, há quem queira Danrlei na Presidência.

Cruzeiro
- Contrataram Alex Silva. Não tiveram grandes problemas recentemente mas só essa já vai garantir material até o fim do ano.

Atlético-MG
- Arquidiocese de Belo Horizonte ignora tradição e impede culto ecumênico pelo aniversário do clube. Aliás, comemoração de quê? A data passou em branco e nem mesmo a torcida se mobilizou para fazer algo.
- No final de Março ainda estava bem díficil para conseguirem terminar de pagar os salários de Janeiro e Fevereiro.

Boas notícias para os palmeirenses, quem diria?

Nenhum palmeirense está acostumado a ler boas notícias sobre o Verdão. Mesmo nas vitórias as crônicas esportivas preferem usar um viés negativo, apontar os erros, criticar as decisões, desmoralizar a instituição. “Crise no Palestra!” é um bordão antigo repetido semanalmente nas mesas redondas de domingo e manchetes de segunda.

Mas em algumas raras ocasiões tudo coincide e não tem como negar: o Palmeiras, que foi chamado de quarta força paulista há apenas dois meses, é hoje o principal time a ser batido no Brasil.

Já são 21 partidas consecutivas sem derrota, uma série invicta que não acontecia há mais de dez anos. Cinco partidas da reta final do Brasileirão 2011, o amistoso contra o Ajax-HOL na abertura da temporada 2012, mais todos os 14 jogos disputados do Paulista e um jogo da Copa do Brasil. Jogando do jeito que está e se não tivermos muitos desfalques por lesões ou suspensões, creio que seja possível levar essa invencibilidade adiante até as finais do Paulista ou as primeiras rodadas do Brasileiro.

As contratações foram poucas mas todas funcionaram. Hernán Barcos, Daniel Carvalho e Juninho entraram muito bem no elenco e já caíram nas graças do treinador e da torcida, sendo que Barcos excedeu todas as expectativas com 8 gols em 9 jogos. Adalberto Román e Artur jogaram menos, mas não comprometeram e tendem a evoluir.

Não dependemos mais da bola parada e de Marcos Assunção. Melhoramos um pouco nosso repertório de jogadas e não precisamos mais rezar pelas faltas na entrada da área para o Assunção bater, que já anda revezando as cobranças de faltas e escanteios com o Daniel Carvalho e o Maikon Leite.

Em breve teremos uma trilogia palmeirense nos cinemas. Além dos dois filmes da produção Palestra Itália Doc sobre a história e a reconstrução do nosso estádio, haverão outros três filmes sobre jogos históricos.

O primeiro, que deverá ter muito sucesso, tratará apenas de um jogo. O de 12 de junho de 1993, quando o clube saiu da fila, vencendo o Corinthians, grande rival. O segundo, tratará da conquista da Libertadores em 1999. E o terceiro, será mais amplo, contando muitas glórias verdes e comemorando o centenário do clube, em 2014.

O movimento “Diretas Já no Palmeiras” consolidou-se e o direito ao voto já é considerado uma questão de tempo, ao ponto de alguns atuais gestores do clube estão querendo assumir a paternidade do pedido feito pela oposição e reverberado pela torcida.

A mobilização da torcida pelo Wesley foi impressionante. Ainda que o crowdfunding pela contratação do jogador seja frequentemente citado como “fracasso”, não se pode deixar de notar que mesmo com todos os erros da operação (e não foram poucos!) a torcida arrecadou mais de R$ 600.000 em duas semanas, uma quantia várias vezes maior que o recorde anterior de crowdfunding no Brasil. Considere ainda que nesse período muita gente ainda não tinha entendido o funcionamento da arrecadação e a imprensa esportiva não dedicou uma linha sequer em benefício à campanha; pelo contrário, a criticou e a desmoralizou diuturnamente.

São Marcos vai receber a Medalha do Mérito Desportivo das mãos da Presidenta da República Dilma Rousseff. A data da entrega da comenda ainda está indefinida mas a homenagem já foi publicada no Diário Oficial da União.

Os chutes certeiros de Marcos Assunção

Marcos Assunção fez dois gols de bola parada na quarta-feira da semana passada, e mais um gol “e meio” na partida da última quarta; o primeiro foi direto para as redes e o segundo encontrou a cabeça do lateral direito estreante Artur. Dos onze gols marcados até a sexta rodada, sete tiveram a participação do nosso capitão cobrador de faltas e escanteios (e exatamente no momento em que publico este post, Hernán Barcos acaba de marcar um gol contra o Ituano após cobrança de escanteio do Assunção).

O lugar comum da imprensa agora é dizer que o Palmeiras “é dependente do Marcos Assunção” e que as cobranças de falta e escanteios na primeira trave “são jogadas manjadas”. Gostaria muito de ter a oportunidade de fazer aos críticos três considerações:

Primeiro, bola parada é do jogo, se não fosse então não existiria cobrança de tiro direto; um gol em cobrança de falta pode ser mais feio que o gol de uma calopsita driblando cinco adversários e entrando com bola e tudo e fazendo dancinha, mas ambos valem apenas um ponto no placar. Se o Palmeiras tem um exímio cobrador de faltas e escanteios, então isso deveria ser exaltado como uma virtude do time e não como uma fraqueza (“o Palmeiras só consegue fazer gol de bola parada”).

Segundo, se a jogada é manjada e ainda assim acontece em quase toda partida, então os cronistas deveriam fazer notar a desorganização dos adversários para evitá-la. Se sabem que este é nosso ponto forte, então marquem corretamente os palmeirenses nos escanteios e evitem cometer faltas a partir da sua intermediária; estão sofrendo nossos gols por não saberem fazer a lição de casa.

E terceiro, o gol na cobrança de falta ocorre porque uma infração foi cometida pelo adversário, e o alto número de cobranças feitas pelo Marcos Assunção deveria ativar um alerta em todos – imprensa, federações, comissões de arbitragem – para o número excessivo de infrações que os palmeirenses sofrem, especialmente o vergonhoso rodízio de faltas que cometem no Valdivia.

A imprensa alimenta o mau humor palmeirense – e vice-versa

Sobre a proposta do Flamengo pelo nosso atacante Kleber, é importante registrar três coisas que parecem ter sido esquecidas por muita gente:

- Até hoje o Flamengo deve R$ 700 mil de salários ao atacante Vágner Love, que forçou sua saída do Palmeiras após assédio do clube carioca.

- Quando Ronaldinho Gaúcho foi contratado pelo Flamengo no começo do ano, o sonho deles era conseguir R$ 50 milhões anuais em marketing e patrocínios. Passados 6 meses da contratação nenhum retorno financeiro foi obtido – não conseguiram nem mesmo acertar com um patrocinador master para a camisa (e parte da receita que não veio virou débito do clube para a intermediadora Traffic).

- A dívida do Flamengo é muito superior a R$ 300 milhões, ou seja, seguramente o dobro da dívida palmeirense.

De onde é que viria esse dinheiro para contratar o Kleber, em quantas parcelas seria pago e quais seriam as garantias que não tomaríamos um calote? Ciente de tudo isso Felipão resumiu: “Que vendam a Gávea!”. Nem questiono se teriam condições de manter o salário do atacante em dia pois aí o problema e o risco seriam só dele.

A impressão é que a diretoria do Flamengo está sendo pressionada por estes seus problemas e precisa de uma “bomba de fumaça ninja” para desviar o foco. A imprensa vai no embalo porque sabe que polêmica no Palmeiras vende jornal e dá audiência, a ponto de dar uma barrigada ao citar um twitter falso do presidente Arnaldo Tirone para embasarem suas novelas.

Luis Fabiano do São Paulo e Adriano do Corinthians foram contratados a peso de ouro com salários altos, vieram com problemas físicos, os clubes não tinham conhecimento das extensões das gravidades (um grande erro!), sequer estrearam e não se sabe quando um dos dois terá condições de entrar em campo. Há quanto tempo você não vê uma manchete sobre eles nos noticiosos? Criou-se a cultura de que o Palmeiras é recheado de polêmicas e o torcedor palmeirense tem sua parcela de culpa por insuflar esse tipo de situação.

Se você for dar sua opinião nos programas de rádio que aceitam participação de torcedores (Estádio 97, Na Geral, Esporte em Debate, etc), pare de entrar na onda dos apresentadores e defenda o Palmeiras ao invés de cornetá-lo. Quando surgir uma notícia sem as devidas confirmações, procure por informações mais confiáveis nos sites da mídia palestrina com autores que possuem acesso direto a conselheiros e diretores antes de sair “xingando muito no twitter”. É esse tipo de comportamento auto-destrutivo que faz a imprensa escolher suas manchetes, criando um nocivo círculo vicioso.

A diretoria precisa parar de choramingar as finanças, pois abre brecha para qualquer falido achar que estamos passando o chapéu sendo que temos muito mais geração de receita do que boa parte dos clubes do Brasil.

E ao nosso comandante Felipão, por favor: volte com a restrição de entrevistas nas saídas do gramado. Os repórteres de campo fazem um telefone sem fio com os jogadores passando informações pela metade que só amplificam mal-entendidos.

Memória seletiva da imprensa esportiva

A imprensa esportiva faz questão absoluta de relembrar derrotas do Palmeiras de quase dez anos atrás mas “esquece” de outras informações relevantes nos principais debates da semana.

Hoje o UOL Esporte registra pela enésima vez as eliminações do Palmeiras na Copa do Brasil, um relato que é repetido em toda rodada deste campeonato. Logo no primeiro parágrafo citam um “tabu superior a dez anos”, expressão negativa que nunca é usada em notícias do São Paulo, Atlético-MG, Botafogo e Vasco, que jamais venceram esta competição.

A polêmica da semana é a arbitragem desastrosa do Paulo Cesar de Oliveira no Derby 337. Apesar do Felipão ter citado que o Palmeiras foi prejudicado trinta vezes por este árbitro, nenhum veículo de comunicação fez nesta semana o registro de sequer uma única ocorrência de erro que ele já tenha causado contra o Palmeiras.

Esquecem que no Brasileiro 2010 Paulo Cesar de Oliveira validou um gol impedido do Corinthians… contra o Palmeiras.

Esquecem que no Paulista 2010 Paulo Cesar de Oliveira foi suspenso por cinco rodadas após um erro absurdo de validar um gol em completo impedimento após cobrança de pênalti… contra o Palmeiras.

Esquecem que no Paulista 2008 Paulo Cesar de Oliveira validou um gol de mão do São Paulo… contra o Palmeiras.

No total foram 28 partidas, 11 pênaltis contra, 17 cartões vermelhos, e apenas 8 vitórias contra 13 empates e 7 derrotas. Certamente reencontraremos este árbitro em mais dois ou três jogos neste ano, pois a Federação Paulista de Futebol e sua Comissão de Arbitragem não admitem nenhuma crítica mesmo com o histórico da Máfia do Apito tendo ocorrido com integrantes do seu quadro.

Sempre existe risco ao contratar ou não contratar

Ricardo Perrone em seu azedume diário: Fernandão e Weldinho: duas negociações fracassadas no Palmeiras.

Enquanto negociava com Wellington Paulista, o Palmeiras ainda flertava com Fernandão. Em vez de tentar o seu empréstimo, o alviverde apostou na estratégia de esparar o jogador acertar sua rescisão com o São Paulo. Antes que isso ocorresse, porém, os palmeirenses se assustaram com os valores pagos pelo time do Morumbi a Fernandão. Teriam que manter o mesmo nível. Preferiram, Wellington Paulista.

A última frase é absolutamente contraditória (além do absurdo de um jornalista formado há 20 anos botar uma vírgula inútil numa frase curtíssima). Não houve fracasso na negociação, e sim uma desistência por parte da diretoria palmeirense.

Dou três bons motivos para não contratar o Fernandão. Primeiro: entre os cartolas existe o pensamento de “não fortalecer o rival” e por isso há muito tempo não ocorre uma negociação amistosa entre Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos. Segundo: ele se machucou há quase dois meses, ainda não tem previsão de volta e deve ser operado, não faz sentido contratar um reforço totalmente fora de ritmo que iria direto para o departamento médico. Terceiro: o salário dele é muito alto, no nível que a atual gestão sempre criticou nas contratações da gestão anterior.

Na negociação envolvendo o atacante, aliás, existia a possibilidade de o Cruzeiro assumir 100% do salário de Vítor, pedido pelos mineiros. Mas, já liberado pelo Sport, Vítor continuará tendo R$ 50 mil mensais pagos pelo Palmeiras. O Cruzeiro bancará R$ 60 mil.

Claro que é ruim ajudar a pagar parte de salários de atletas fora do nosso elenco mas acredite: a vantagem para o Palmeiras foi enorme. Antes o lateral estava escondido do mercado emprestado ao Sport Recife onde jogaria a Série B, já pagávamos parte do seu salário e não tínhamos um atacante de ofício. Conseguimos o atacante e o Vítor jogará a Série A e a Libertadores, o que pode representar mais dinheiro em caixa numa possível negociação no final do ano (o Palmeiras ainda detém os seus direitos federativos). O Cruzeiro estava na razão dele em pedir parte do pagamento já que nós é que fomos até lá insistir na negociação, esse é um exemplo clássico da lei da oferta e procura.

Weldinho, lateral-direito do Paulista, foi oferecido ao Palmeiras antes de acertar verbalmente com o Corinthians. Só seria necessário pagar os salários. A diretoria alviverde ficou de analisar e dar uma resposta. Não respondeu. E ele fez o caminho do Parque São Jorge.

Ainda é muito cedo para dizer se o rival fez mesmo um bom negócio, mas de qualquer forma contratar é sempre uma aposta que pode ou não dar certo. A diretoria deve ter pisado no freio porque o elenco já contém cinco grandes apostas neste ano, batizados maldosamente pelo UOL Esporte como “genéricos”: Adriano, Dinei, Cicinho, Rivaldo e Tinga. Destes, Cicinho está indo muito bem e o Rivaldo tem uma estatística excelente que agrada Felipão, apesar da torcida não gostar das suas apresentações. Adriano e Tinga merecem mais chances antes de um julgamento, enquanto Dinei foi nossa aposta que não deu certo.

E esse negócio de “só seria necessário pagar os salários” está muito mal-contado. O Paulista não exigiria nenhuma contrapartida? O atleta não tem empresário ou representante comissionado? As tradicionais luvas não foram pedidas? Algumas buscas na internet mostram o nome do empresário do rapaz e que ele já esteve envolvido em complicadas negociações no rival anteriormente, por isso acho bom que o Palmeiras não tenha feito a contratação.

Painel FC repete fofocas sem fundamento

Painel FC da Folha de S.Paulo, 20/03/2011:

Fogo amigo. Causa revolta entre conselheiros da situação a possível contratação de Pedro Renzo como advogado do Palmeiras. Reclamam que ele atuou na gestão passada e que seria antiético, pois ele é sócio do clube.

Registre-se que não há absolutamente nada de antiético pois o Estatuto prevê situações como esta no Capítulo 2, artigo 22:

O associado que prestar serviço remunerado à SEP, ficará com os direitos de associado suspensos enquanto subsistir a relação comercial ou empregatícia. Referida suspensão não atingirá os dependentes, desde que, as contribuições, mensalidades, taxas e/ou débitos, consoante as normas e prazos estabelecidos pela Diretoria Executiva, continuem sendo pagas.

Painel FC da Folha de S.Paulo, 26/03/2011:

Alvo. O diretor jurídico palmeirense, Pedro Remzo (sic), é alvo de conselheiros que apoiaram Tirone. Questionam como pode integrar a atual diretoria, já que fez parte da gestões (sic) anteriores.

Ou seja, não era uma contratação como indicava a primeira nota, e sim uma nomeação do presidente. E se ele fez parte das gestões passadas – no plural – significa que ele também esteve nas gestões do Della Monica e/ou do Mustafá Contursi, que apoiam a atual situação.

Resumindo: pela repetição da fofoquinha em menos de uma semana, parece ser notinha plantada por algum conselheiro amargo que desejava a nomeação ou que não possui simpatia com o Renzo. Ainda que não sejam plantadas, foram no mínimo mal apuradas.

30 dias depois, o “cavalo paraguaio” reaparece na liderança

Diário de S.Paulo em 28/02/2011, opinião do editor executivo Carlos Alencar: Verdão é cavalo paraguaio no Paulistão.

Aposto com quem quiser que o Palmeiras não volta mais à liderança do Paulistão. Estou afirmando isso mesmo faltando nove rodadas antes do fim desta fase classificatória.

Hoje pela manhã este mesmo editor teve que ver na página 18 do seu caderno de esportes o Palmeiras novamente em primeiro lugar.

Palmeiras não adiantou cotas do Brasileiro

Como sempre se especula que o Palmeiras não tem valores a receber dos direitos de TV pelos próximos N anos por já tê-los recebidos para pagar dívidas, há uma entrelinha numa notícia de hoje onde o Clube dos 13 esclarece isso de uma vez. A nota se refere a quem deve empréstimos captados ao Clube dos 13 e por isso está obrigado a aceitar o acordo dos direitos de TV negociados pela entidade.

Os únicos clubes que não estão incluídos no acordo são Corinthians, Fluminense, Palmeiras, Santos e Goiás. Os demais, ou assinaram por vontade própria ou compulsoriamente, já que o Clube dos 13 diz ter direito de assinar pelos times endividados.

Segundo Athaíde Gil Guerreiro, São Paulo, Atlético-PR, Atlético-MG, Portuguesa, Internacional, Guarani e Bahia, todos aliados de Koff, o fizeram por conta própria. Já Flamengo, Botafogo, Vasco, Grêmio, Cruzeiro, Coritiba, Sport e Vitória entram na lista por conta do débito financeiro.

Em muitos noticiários há referências ao Palmeiras ter adiantado as cotas de TV do Campeonato Paulista, mas a operação não foi de débito com a federação estadual, e sim de ter uso das cotas futuras como garantia para um empréstimo bancário realizado, o que é bem diferente de “adiantar cotas de tv”.

Próximos mandos serão na Arena Barueri e Canindé

iG Esporte: Sem casa, Palmeiras manda jogo em dois estádios na mesma semana

Sem poder contar com sua casa própria, o time já testou vários lugares e, nesta semana, mesmo com o mando de campo, jogará duas vezes em lugares diferentes. Primeiro, na quarta-feira, enfrenta o Linense na Arena Barueri. Depois, no sábado, joga contra o Bragantino no Canindé.

Por mais de três décadas o Palmeiras mandou todos os clássicos e jogos decisivos no Morumbi a preços exorbitantes (em 2008 era cobrado o maior valor entre R$ 70 mil e 12% a 15% da renda). Foi graças a esse erro que o rival conseguiu sua estabilização financeira e o Pacaembu se tornou deficitário, e o maior absurdo é que toda a crítica esportiva considerava isso natural.

Para mim era essa a situação em que melhor nos encaixava a expressão “sem casa”: mesmo tendo um estádio apto para jogos o consenso entre dirigentes, federações e imprensa era que o Palestra Itália não era uma praça esportiva adequada para um Clássico da Saudade num Paulistão dos anos 1980, mas sabe-se lá por quê serviu numa final de Libertadores em 1999.

Minha preferência permanece sendo o Pacaembu. No Canindé sempre teremos o problema do planejamento da tabela de jogos com a Portuguesa, o que não acontece com o Corinthians ou Santos no Pacaembu. A Arena Barueri parece ser a melhor economicamente mas apresenta claros prejuízos ao torcedor, então só deveria ser usada em último caso.

A propósito, no boletim financeiro contra o São Bernardo há um custo de R$ 24.317,64 respectivos ao aluguel de campo no Canindé, o que é bem próximo do aluguel do Pacaembu para um público e horário equivalentes. Não pude fazer um levantamento mais apurado porque os boletins não possuem padronização nos nomes das contas, então não dá para saber se “bilheteiros” e “funcionários” são a mesma coisa, nem se a “segurança” (que não aparece em todos os boletins) seja ocasionalmente incluída nas “despesas diversas”. De qualquer forma, me parece que a economia de jogar fora do Pacaembu não é tão relevante.